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O Brasil deixou o Mapa da Fome após três anos, segundo relatório apresentado nesta segunda-feira (28/07) durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, na Etiópia.

O resultado reflete a média trienal dos anos de 2022, 2023 e 2024, que colocou o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de desnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente.

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Estar no Mapa da Fome significa que uma parcela significativa da população do país vive fome crônica, ou seja, não tem acesso regular a alimentos e consome menos calorias do que o necessário para uma vida saudável.

Brasil recupera indicadores

O estudo produzido por cinco agências especializadas da ONU, incluindo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulga esse indicador sempre na forma de médias trienais.

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O Brasil havia deixado o Mapa da Fome pela primeira vez em 2014, mas retornou à lista no triênio de 2019 a 2021, quando 2,8% da população corria risco de subnutrição.

Este percentual ainda subiu para 3,4% entre 2020 e 2022, o equivalente a 7 milhões de brasileiros. No período, a pandemia da covid-19 contribuiu para a piora dos indicadores. Entre 2021 e 2023, o índice de pessoas subnutridas no Brasil ficou em 3,2%.

No triênio de 2020 a 2022, o país também registrou uma disparada no número de pessoas que viveram algum nível de insegurança alimentar, chegando a 22,1% da população (cerca de 46 milhões de brasileiros). No último relatório, este índice caiu para 13,5%, ou cerca de 28,4 milhões.

Estar no Mapa da Fome significa que parcela significativa da população do país não tem acesso regular a alimentos
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O número dos que sofreram com insegurança alimentar é maior do que classificados como famintos porque a definição de fome da entidade considera apenas aqueles em estado de subnutrição induzida pela falta crônica e contínua de alimentos.

Em nota, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome defendeu que “a conquista foi alcançada em apenas dois anos, tendo em vista que 2022 foi um período considerado crítico para a fome no Brasil”.

Fome reduz no mundo, mas persiste em algumas regiões

A ONU estima que 8,2% da população mundial, cerca de 673 milhões de pessoas, tenham enfrentado fome em 2024, uma redução em relação aos 8,5% registrados em 2023 e aos 8,7% em 2022.

O Brasil ajuda a melhorar os números da América Latina e no Caribe, onde a prevalência de subnutrição caiu para 5,1%, ou 34 milhões de pessoas, em 2024, abaixo do pico de 6,1% registrado em 2020 para a região.

No entanto, em sub-regiões da África e da Ásia Ocidental, a tendência é negativa. “A proporção da população que enfrenta a fome na África ultrapassou 20% em 2024, […] enquanto na Ásia Ocidental estima-se que 12,7% da população possam ter enfrentado a fome em 2024”, diz a ONU em seu relatório.

Como é calculado o Mapa da Fome

A FAO adota alguns indicadores para monitorar a situação alimentar nos países. O principal deles é a Prevalência de Subnutrição (PoU, na sigla em inglês), utilizado na construção do Mapa da Fome. Esse indicador identifica, em cada país, o percentual da população em risco de subnutrição.

O PoU é calculado a partir de três variáveis: a quantidade de alimentos disponíveis no país, considerando produção interna, importação e exportação; o consumo de alimentos pela população, considerando as diferenças de capacidade de aquisição (a renda); e a quantidade adequada de calorias/dia, definida para um indivíduo médio representativo da população.