Canadá pede união contra coerção de grandes potências: 'quem não está à mesa, está no cardápio'
Em Davos, premiê Mark Carney aponta uso da integração econômica como 'arma' e afirma que ordem internacional ancorada em regras 'chegou ao fim'
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou nesta terça-feira (20/01) que a antiga ordem internacional baseada em regras chegou ao fim e instou as potências médias a se unirem para evitar serem submetidas a medidas coercitivas por parte dos atores dominantes.
Durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Carney observou que a estrutura de poder que ainda caracteriza as relações internacionais poderia ser definida como um “sistema de crescente rivalidade entre grandes potências”, uma vez que essas nações “perseguem seus interesses usando a integração econômica como arma de coerção”.
Ele também alertou que “as grandes potências começaram a usar a integração econômica como arma. Tarifas como instrumento de pressão. Infraestrutura financeira como forma de coerção. Cadeias de suprimentos como vulnerabilidades a serem exploradas.”
O primeiro-ministro canadense afirmou que o multilateralismo e a cooperação internacional, apoiados por instituições como as Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio e a Conferência das Partes, perderam força, e que as potências médias talvez precisem se acostumar a agir por conta própria com mais frequência.
Nesse contexto, ele alertou que “um país que não consegue se alimentar, se abastecer ou se defender tem poucas opções” e que “quando as regras deixam de te proteger, você precisa se proteger”. Ele também afirmou que essa abordagem empobrecerá, enfraquecerá e reduzirá a sustentabilidade dos países. No entanto, Carney enfatizou que a colaboração com aliados que compartilham os mesmos ideais deve ser buscada sempre que possível para combater a dominação de nações maiores, mais ricas e mais fortemente armadas.
“Muitos países estão chegando às mesmas conclusões. Eles precisam desenvolver maior autonomia estratégica: em energia, alimentos, minerais críticos, finanças e cadeias de suprimentos”, afirmou.

Canadá pede união contra coerção de grandes potências: ‘quem não está à mesa, está no cardápio’
Reprodução X / @MarkJCarney
‘Se você não está à mesa, você está no cardápio’
“Isso não é multilateralismo ingênuo, nem é dependência de instituições enfraquecidas”, afirmou Carney, esclarecendo sua proposta de “criar coalizões que funcionem […] com parceiros que tenham interesses em comum suficientes para agir em conjunto”.
“As potências médias precisam se unir, porque se você não está à mesa, você está no cardápio “, acrescentou.
Carney explicou que as grandes potências podem agir unilateralmente graças ao tamanho de seu mercado, capacidade militar e influência para impor condições, enquanto as potências médias, como o Canadá, não possuem essas vantagens.
Em outro trecho de seu discurso, ele expressou seu apoio à Groenlândia e à Dinamarca, afirmando que somente elas têm o direito de decidir o futuro da ilha.
Segundo a Bloomberg, os comentários de Carney foram particularmente surpreendentes, dada a profunda integração econômica do Canadá com os Estados Unidos e sua potencial exposição a represálias do presidente Donald Trump, embora ele não tenha sido mencionado em seu discurso.
Canadá e México estão se preparando para negociar com os EUA sobre o acordo comercial norte-americano, enquanto autoridades americanas levantaram publicamente a possibilidade de se retirarem do acordo e buscarem negociações bilaterais.























