Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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A Central Operária Boliviana (COB) convocou uma nova greve nacional para este sábado (03/01), no âmbito de um protesto em rejeição ao Decreto Supremo 5503, que modifica os preços dos combustíveis e gerou fortes críticas por seu impacto nos direitos econômicos e sociais da classe trabalhadora.

A marcha, sob o slogan “Bolívia Não Está À Venda”, partirá de Calamarca, uma cidade próxima a La Paz, e busca chegar à sede do governo antes da reunião marcada entre representantes sindicais e autoridades nacionais na segunda-feira (05/01).

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Segundo reportagens da mídia local, a medida faz parte de uma estratégia para intensificar os protestos que começaram em 19 de dezembro, após a promulgação do decreto. “O objetivo é radicalizar as medidas, para que o governo revogue o decreto”, disse o líder da Confederação Geral dos Trabalhadores de Fábrica da Bolívia, Mario Segundo, ao confirmar o chamado.

A greve também cobre as segundas e terças-feiras (06/01), com o slogan de paralisar o país como um todo. A COB emitiu uma instrução obrigatória que estabelece a participação obrigatória de todas as bases afiliadas, sob o alerta de que “a não conformidade será avaliada nas instâncias orgânicas correspondentes.” O documento enfatiza que a mobilização deve ser realizada com “uma presença disciplinada e combativa, de acordo com os princípios históricos do movimento trabalhista boliviano.”

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As diretorias executivas de cada organização afiliada serão responsáveis por garantir o cumprimento das diretrizes, que incluem o uso de faixas, bandeiras e slogans unitários, bem como a salvaguarda da ordem ao longo de todo o percurso da marcha. “Esses princípios respondem à tradição histórica do movimento trabalhista boliviano”, afirmou a COB em seu comunicado.

Marcha marcada para sábado (03) sob o slogan “Bolívia Não Está À Venda”, partirá de Calamarca, uma cidade próxima a La Paz
Reprodução/COB

O secretário executivo da COB, Mario Argollo, disse que as mobilizações “são vingativas e buscam cuidar do futuro de nossos filhos e netos.” Ele culpou o Executivo pela radicalização das ações de protesto, enfatizando que “este decreto coloca o país à venda. A história nos julgará se não pararmos este governo que está sorteando nosso país.”

Argollo também denunciou uma suposta campanha de “intimidação” pelo governo, que incluiria a prisão de líderes sindicais e despejos “ditatoriais” em centros habitacionais.

“O governo está começando a intimidar, intimidar, a nos tirar das acomodações de forma ditatorial, semeando caos, terror, intimidação no melhor estilo da ditadura”, disse ele e acrescentou: “Denunciamos perante o povo boliviano e a comunidade internacional que a perseguição política existe.”

Os protestos foram apoiados por ações simbólicas, como greves de fome de esposas de membros da Federação Sindical dos Mineiros da Bolívia (FSTMB), que exigem a anulação do Decreto Supremo 5503. “A liderança da COB está do lado do povo e luta pelo custo da cesta da família. Não seremos os portadores dessa crise”, disse uma líder mulher.

Por sua vez, o governo reativou na sexta-feira (02/02) uma proposta de diálogo com a COB e a FSTMB por meio de “tabelas técnicas”. O Ministro da Presidência, José Luis Lupo, confirmou que o Executivo está realizando conversas setoriais com os mobilizados que celebram duas semanas de protestos contínuos.