Quarta-feira, 4 de março de 2026
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A China acolheu a decisão dos Países Baixos de suspender a ordem administrativa contra a fabricante de semicondutores Nexperia, mas considerou a medida insuficiente para resolver a crise que paralisou cadeias de suprimentos globais nas últimas semanas. Segundo o Ministério do Comércio da China, a suspensão representa “um primeiro passo na direção certa para uma solução adequada”, ao mesmo tempo em que Pequim exige a revogação total da ordem.

A ordem concedia aos Países Baixos poderes para bloquear ou revisar decisões na Nexperia, sediada em Nijmegen.

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Os governos dos dois países realizaram duas rodadas de consultas presenciais em Pequim nos dias 18 e 19 de novembro sobre a questão da Nexperia, de acordo com o ministério chinês. Durante as negociações, a Holanda propôs suspender a ordem emitida ao abrigo da Lei de Disponibilidade de Bens. Entretanto, conforme informou o Ministério do Comércio, a suspensão “ainda está a um passo de revogar a ordem executiva, o que abordaria a causa raiz da turbulência e do caos na cadeia de suprimentos global de semicondutores”.

O ministério chinês indicou ainda que a decisão do tribunal empresarial neerlandês, “liderada pelo Ministério de Assuntos Econômicos dos Países Baixos”, de retirar o controle da Wingtech Technology sobre a Nexperia “permanece como principal obstáculo para resolver a questão”. A China reiterou durante as consultas que “a fonte e a responsabilidade pelo atual caos na cadeia de suprimentos global de semicondutores reside nos Países Baixos”, segundo o ministério.

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Em comunicado divulgado pelo governo holandês, o ministro de Assuntos Econômicos, Vincent Karremans, afirmou que considera “o momento adequado para dar um passo construtivo” após as reuniões com autoridades chinesas nos últimos dias. De acordo com o comunicado oficial, as medidas tomadas por Pequim para garantir o fornecimento de chips à Europa e ao restante do mundo são vistas como “um gesto de boa vontade”. A decisão foi tomada “em estreita consulta com parceiros europeus e internacionais”, informou o ministério neerlandês.

A crise teve início em 30 de setembro, quando os Países Baixos invocaram pela primeira vez desde 1952 a Lei de Disponibilidade de Bens para assumir controle sobre decisões estratégicas da Nexperia, alegando preocupações com transferência irregular de ativos, recursos, tecnologia e conhecimento pelo então CEO Zhang Xuezheng, conforme documentos oficiais do governo neerlandês.

No dia seguinte, a Câmara Empresarial do Tribunal de Apelação de Amsterdã afastou o executivo e transferiu as ações da empresa para um administrador. Em resposta, o Ministério do Comércio chinês bloqueou em 4 de outubro as exportações de semicondutores das fábricas chinesas da Nexperia.

Ambos os lados acordaram durante as negociações em “eliminar a intervenção administrativa” e apoiar as empresas na resolução de disputas internas “por meio de negociação e de acordo com a lei”, segundo o Ministério do Comércio da China. A medida, afirmou a pasta, “protegerá os direitos e interesses legítimos dos investidores e criará condições mais favoráveis para restaurar a segurança e estabilidade da cadeia de suprimentos global de semicondutores”.

A China disse que espera que os Países Baixos “continuem demonstrando sinceridade na cooperação” e apresentem “propostas genuinamente construtivas” para solucionar o impasse, de acordo com o Ministério do Comércio.