Terça-feira, 9 de dezembro de 2025
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A China alertou, nesta quinta-feira (27/11), que o Japão “reflita e corrija seus erros”, ao “retratar-se sobre as declarações equivocadas” em relação a um possível envolvimento militar em Taiwan.

“Instamos mais uma vez o lado japonês a tomar medidas práticas para honrar seus compromissos com a China e fazer o que menos se espera de um Estado-membro da ONU”, afirmou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

Ao responder uma declaração, feita na quarta-feira (26/11), pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, de que Tóquio “não reconhece o estatuto jurídico de Taiwan”, o representante de Pequim lembrou que “a recuperação da ilha pela China é um resultado vitorioso da Segunda Guerra Mundial e parte integrante da ordem internacional do pós-guerra”.

Segundo Lin, “uma série de instrumentos com efeito jurídico sob o direito internacional, incluindo a Declaração do Cairo (1943), a Proclamação de Potsdam (1945) e o Instrumento de Rendição Japonês (1945), afirmaram a soberania da China sobre Taiwan”.

“A primeira-ministra Takaichi optou deliberadamente por não mencionar a Declaração do Cairo e a Proclamação de Potsdam — dois documentos jurídicos internacionais com plena eficácia. Isso demonstra, mais uma vez, que continua relutante em reconhecer o erro e em abandonar o rumo equivocado”, analisou o representante chinês;

Para a autoridade, a posição de Takaichi também prejudica as relações diplomáticas entre os dois países. “Ela demonstra desrespeito pela autoridade da ONU e desafia abertamente a ordem internacional do pós-guerra e as normas básicas do direito internacional, chegando mesmo a reforçar a suposta noção de que o status de Taiwan é indeterminado”.

Primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, disse que Tóquio “não reconhece o estatuto jurídico de Taiwan”
RS/Fotos Públicas

“Isso apenas agrava a situação. A China rejeita veementemente essa postura e exige máxima vigilância da comunidade internacional”, alertou.

Pequim reforça que Taiwan é parte inalienável do território chinês e exige que todas as nações que mantenham relações diplomáticas com a China respeitem o princípio de “uma só China”, o que implica rejeitar qualquer reconhecimento da independência taiwanesa.

O governo chinês vê a presença militar japonesa na região como uma ameaça direta a essa diretriz, ampliando as preocupações de que disputas geopolíticas na Ásia possam escalar rapidamente.

Rússia e Coreia do Sul criticam Japão

A comunidade internacional tem rechaçado as declarações japonesas. Segundo a agência de notícias russa TASS, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, criticou nesta quarta-feira (26/11) a “conduta provocativa de algumas capitais regionais”.

“Os aliados dos Estados Unidos na região devem abordar essa questão com responsabilidade e bom senso, compreendendo a importância crucial da questão de Taiwan e sua sensibilidade para a China”, afirmou, evitando mencionar diretamente o Japão.

De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, o presidente da Assembleia Nacional da Coreia do Sul, Woo Won-shik, afirmou que as ações de Takaichi revelam a “atitude irresponsável” do Japão e “a falta de reflexão histórica”, alertando que suas ações “transformariam o Japão em um ‘país capaz de travar guerras'”.

(*) Com Brasil247