China rechaça denúncia dos EUA sobre testes nucleares secretos: ‘mentira descarada’
Segundo Pequim, Washington usa narrativa ‘infundada’ para justificar suas próprias intenções de retomar ensaios atômicos
Através de um comunicado lido nesta segunda-feira (09/02) pela porta-voz Mao Ning, o Ministério de Relações Exteriores da China repudiou as acusações de que estaria realizando testes nucleares secretos.
A denúncia foi feita pelo subsecretário de Estado norte-americano para Controle de Armas, Thomas DiNanno, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Desarmamento, evento ocorrido em Genebra, na última sexta-feira (06/02). O funcionário estadunidense afirmou que Pequim tem “detonações experimentais” desde 2020 e que estaria preparando “testes de alto rendimento”
A resposta chinesa qualificou as declarações do subsecretário como “completamente infundadas” e como uma “mentira descarada”. Ademais, instou as autoridades norte-americanas a “cessarem imediatamente suas ações e declarações irresponsáveis”.
Em outro ponto da nota, a chancelaria chinesa afirma que a narrativa dos Estados Unidos seriam uma estratégia para justificar “seu próprio projeto de retomar testes nucleares”.
Necessidade de novo tratado
As acusações cruzadas ocorrem em um contexto no qual China, Estados Unidos e também a Rússia estariam negociando a possibilidade de estabelecer um novo tratado sobre armamentos nucleares, que venha a substituir o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo START), que perdeu vigência na última quinta-feira (05/02) – justamente um dia antes do evento na ONU, em Genebra.
O Novo START foi o último de uma série de acordos sobre controle de armas estratégicas que se manteve durante meio século, desde o período da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, até os compromissos mais recentes, entre Estados Unidos e Rússia.
Essa arquitetura de controle de armas foi sustentada por documentos como o Acordo Interino sobre Certas Medidas Relativas à Limitação de Armas Ofensivas Estratégicas (SALT I), e o Tratado de Mísseis Antibalísticos (Tratado ABM). O Novo START, tratado mais recente sobre o tema, foi assinado em 2010, pelos então presidentes da Rússia, Dmitry Medvedev, e dos Estados Unidos, Barack Obama.

Porta-voz da diplomacia chinesa, Mao Ning, criticou declarações de subsecretário dos EUA
Ministério das Relações Exteriores da China
Inclusão da China em novo tratado
Com a expiração do Novo START, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, enfatizou que ambas as partes “não estão mais vinculadas a nenhuma obrigação”, e que Moscou “está preparada para qualquer consequência, embora prefira o diálogo e esteja pronta para retomá-lo, quando a posição de Washington se tornar mais clara”.
Por sua vez, os Estados Unidos têm mudado sua estratégia com o objetivo de fazer com que um novo tratado de controle de armas estratégicas inclua também a China, e não somente a Rússia.
Além das declarações do subsecretário DiNanno, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a “expansão rápida e opaca” do arsenal chinês tornou os modelos bilaterais de controle de armas “obsoletos”.
O governo da China instou os Estados Unidos a retomarem o diálogo estratégico com a Rússia e indicou que essa também é “a expectativa comum da comunidade internacional”. Contudo, não fez qualquer alusão sobre se o país estaria ou não disposto a participar das negociações sobre um novo tratado de controle de armas.
Com informações de RT.
























