China reconhece laboratório do MST entre dez principais exemplos de IA para desenvolvimento social
Projeto em parceria com universidades chinesas e brasileiras busca promover inovação tecnológica para fortalecer agroecologia e autonomia da agricultura familiar
O Laboratório de Agroecologia Familiar Digital desenvolvido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade de Agricultura da China (UAC) e a Associação Internacional para a Cooperação Popular (Baobab), foi escolhido pelo governo chinês como uma das dez principais iniciativas de Inteligência Artificial (IA) voltadas ao benefício da sociedade.
O projeto faz parte da publicação “IA da China em Benefício do Mundo (2026)”, apresentada durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (CMIA), realizada em julho, em Xangai, na China.
A seleção foi feita pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), órgão responsável pelo planejamento estratégico da economia chinesa. O reconhecimento ocorre no contexto da criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (OMCI), anunciada em julho deste ano pelo presidente Xi Jinping, que também reúne o Brasil que passa a integrar ao lado de outros 28 países.
Inaugurado em novembro de 2024, o Centro Brasil-China de Pesquisa, Desenvolvimento e Promoção de Tecnologia em Mecanização para Agricultura Familiar abriga o Laboratório de Agroecologia Familiar Digital. A iniciativa reúne instituições brasileiras e chinesas para desenvolver tecnologias voltadas às necessidades da agricultura familiar, com foco na agroecologia e no fortalecimento das cooperativas da Reforma Agrária.
Desenvolvida pela estatal chinesa Sinomach Digital, a plataforma tecnológica, utiliza sensores instalados nas áreas de cultivo para monitorar temperatura, umidade do solo e ocorrência de pragas, além de acompanhar em tempo real o funcionamento das máquinas agrícolas. Os experimentos são realizados na Fazenda Água Limpa, da UnB, e os dados são processados no Parque Científico e Tecnológico da instituição.

Equipes da UAC, da UnB e do (MST) durante visita à Fazenda Água Limpa, em novembro de 2024
Divulgação / @Baobab
Segundo a dirigente do MST Gláucia Back, a iniciativa representa a democratização do acesso a tecnologias que, até recentemente, estavam concentradas no agronegócio.
“São tecnologias que até pouco tempo estavam reservadas ao agronegócio. Agora, geridas pelas próprias cooperativas, passam a estar voltadas à produção de alimentos saudáveis e à massificação da agroecologia”, afirma.
De acordo com Bárbara Loureiro, coordenadora da Baobab no Brasil, o laboratório integra uma estratégia mais ampla de digitalização da Reforma Agrária Popular que vem sendo construída nos assentamentos.
O reconhecimento internacional reforça a cooperação entre Brasil e China e evidencia o potencial da inteligência artificial para fortalecer a agricultura familiar, ampliar a produção agroecológica e desenvolver tecnologias voltadas às necessidades dos trabalhadores do campo.























