Os colonos do assentamento de Migron, na Cisjordânia, começaram neste domingo (02/09) a deixarem suas casas em cumprimento a uma decisão do Tribunal Supremo israelense, que o considerou ilegal.
Os primeiros colonos sairão de suas casas e se mudarão de forma temporária para um seminário religioso próximo, informa a edição eletrônica do jornal conservador Yedioth Ahronoth.
Segundo o jornal, o grupo de cerca de 300 colonos começou a arrumar seus pertences na noite de sábado, após uma celebração comunitária por ocasião do “shabat” no qual expressaram seu “direito à Terra de Israel” e sua determinação de retornar.
Nas últimas horas agentes da polícia e da polícia de fronteiras entregaram as ordens de evacuação ditadas pelo Corte Suprema de Israel, e para terça-feira toda a colônia deve ser evacuada.
Criado em 1999 a cerca de 14 quilômetros de Jerusalém, Migron foi levantado sem autorização do governo israelense, e há vários anos a Suprema Corte exige seu desmantelamento.
A retirada é realizada após um pacto de silêncio entre representantes do atual governo de Benjamin Netanyahu e os líderes dos colonos, no qual estes últimos se comprometeram a deixar voluntariamente o local e não recorrer à violência, informou este fim de semana a televisão pública.
“Trata-se de uma ordem imoral apesar de ter vindo da Suprema Corte. Não sei o que significa ser retirado de forma voluntária. A única coisa que sei é que viemos para nos assentar na Terra de Israel que nos foi desapropriada e à qual retornamos”, disse o rabino Mordechai Rabinovich.
NULL
NULL
Rabinovich é pai de um dos colonos que deve ser evacuado e que esta manhã recusou a entrega da ordem de evacuação, em um ato de rejeição à decisão do tribunal.
A imprensa local informa que um número indeterminado de famílias e radicais do grupo “Jovens das Colinas” de outros assentamentos se entrincheirou em várias casas, apesar do cordão de isolamento policial ao redor da colônia.
Os “Jovens das Colinas” são o núcleo mais extremo da colonização judaica do território ocupado da Cisjordânia, e responsável pela criação de mais de meia centena de micro assentamentos que, em Israel, são conhecidos como “enclaves ilegais”, terminologia que os diferencia das colônias criadas a partir de 1970 com a aprovação dos sucessivos governos israelenses.
No entanto, para a comunidade internacional e os palestinos, toda presença judia em território ocupado desde 1967 é ilegal, e a Cisjordânia faz parte do futuro Estado palestino junto com Gaza e Jerusalém Oriental.
Israel e os colonos denominam a Cisjordânia com os nomes bíblicos de Judeia e Samaria e defendem que é parte da histórica terra prometida por Deus aos judeus.