O Comitê Eleitoral Provisório (CEP) do Haiti anunciou na segunda-feira (22/12) o adiamento do segundo turno das eleições presidenciais, previsto para ocorrer no dia 27 de dezembro, seguindo a recomendação da Comissão de Avaliação Eleitoral nomeada pelo presidente Michel Martelly.
Em comunicado divulgado no site oficial, o CEP informou “ao público geral, aos partidos políticos e candidatos, em particular”, que as eleições locais, parciais parlamentares e presidenciais foram adiadas. Não há nova data para a realização do pleito.
Wálmaro Paz/Opera Mundi
Eleição presidencial do Haiti foi suspensa por tempo indeterminado
O documento também revela que a medida acompanha a recomendação da Comissão de Avaliação Eleitoral, “levando em conta as repercussões que poderiam ter a continuação do calendário eleitoral”.
“O CEP, portanto, recomenda encarecidamente aos atores fazer tudo o possível para facilitar a realização do eventual processo eleitoral e reitera sua determinação de promover eleições livres, justas, inclusivas e democráticas”, acrescentou a nota.
O anúncio do CEP ocorreu poucas horas depois de o porta-voz do órgão, Stanley Penn Roody, ter afirmado que a instituição “está pronta” para o segundo turno das eleições presidenciais. O candidato governista, Jovenel Moise, enfrentará o opositor Jude Celestin.
Na última quarta-feira, o Senado do Haiti, atualmente formado por dez senadores, pediu ao presidente que suspendesse o atual processo eleitoral diante do clima de disputa política vivido pelo país e pelas constantes denúncias de fraude feitas pela oposição.
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Após o pedido e depois da convocação de vários protestos para denunciar a manipulação no primeiro turno do pleito presidencial e no segundo da eleição legislativa realizadas no dia 25 de outubro, o presidente ordenou a criação da comissão.
No entanto, a medida de Martelly para investigar as denúncias foi criticada pelos opositores, que consideram como a comissão como uma “solução estética”, já que três de seus cinco integrantes têm vínculos com o atual governo.
Os últimos protestos contra as fraudes eleitorais foram realizados no sábado. Milhares de pessoas foram às ruas para manifestar contra os resultados do segundo turno do pleito legislativo, que definiram a composição do Senado e da Câmara dos Deputados nos 10 departamentos do país.
Distúrbios foram registrados em cidades do nordeste e sul do país. Em um deles, um jovem de 18 anos acabou morrendo e vários prédios oficiais foram incendiados pelos manifestantes.
Os resultados, divulgados no site oficial do CEP, não indicam um claro vencedor. As cadeiras no parlamento foram repartidas quase em números iguais entre governo e oposição, o que provocou novas acusações de fraude.