O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) condenou nesta sexta-feira (13/04) o golpe de Estado perpetrado por militares na noite de quinta (12) em Guiné-Bissau. Além disso, o Conselho exigiu a libertação imediata dos líderes políticos detidos durante a ação. Se trata do segundo atentado à democracia no continente africano em menos de um mês; em 22 de março, militares tomaram o poder no Mali.
Entre os detidos pelos militares está Raimundo Pereira, presidente interino do país, e Carlos Gomes Junior, primeiro-ministro. Os próprios militares divulgaram um comunicado nesta quinta-feira, onde informaram que Pereira está detido no quartel que abriga a sede do Estado-Maior em Bissau, enquanto Góes foi levado para um centro militar na cidade de San Vicente.
Apesar de assumir a detenção dos líderes, os militares negaram que a ação seja um golpe de Estado. Segundo o comunicado, o Exército não está “buscando poder” e, sim, impedindo que o país seja invadido por tropas de Angola.
Os militares alegam que Pereira, favorito para o segundo turno das eleições em 29 de abril, tinha planos de permitir a entrada de forças estrangeiras no país “para aniquilar as forças nacionais”.
Por meio de um comunicado divulgado nesta sexta, os 15 países membros do Conselho de Segurança condenaram a tomada do poder pelas Forças Armadas e denunciaram “esta incursão dos militares na política”.
O Conselho pede que os militares assegurem “a proteção e segurança do presidente interino Raimundo Pereira, do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior e de outros altos responsáveis atualmente detidos”. Por fim, os países pediram a libertação imediata de todos os detidos.
O golpe de Estado teve início na noite de quinta-feira, quando os militares cercaram a residência do primeiro-ministro e do presidente do país. Além disso, as Forças Armadas ocuparam pontos estratégicos da capital.
Durante a ação, tiros foram disparados e morteiros lançados também na capital. O candidato que enfrentaria Gomes Junior no segundo turno das eleições presidenciais, Kumba Yala, prometeu boicotar a votação por conta de supostas fraudes no segundo turno. Outro quatro candidatos, que haviam perdido no primeiro turno, anunciaram que fariam o mesmo.
O candidato eleito sucederá o presidente Malam Bacai Sanhá, morto em janeiro, em Paris, por problemas de saúde. Por meio de nota oficial, o governo brasileiro disse que acompanha “com grave preocupação os incidentes violentos” na Guiné-Bissau.
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