Han Dong-hoon, líder do partido governista da Coreia do Sul, o Partido do Poder Popular (PPP), prometeu uma retirada “antecipada” e “ordenada” do presidente Yoon Suk-yeol, que escapou de uma moção de impeachment no último sábado (07/12).
“Através de uma saída antecipada e ordenada do presidente, minimizaremos o caos para a República da Coreia e o seu povo, estabilizaremos a situação política e restauraremos a democracia liberal”, disse o político.
Segundo Han, a maioria dos sul-coreanos acredita que o presidente não é capaz de governar normalmente no restante do seu mandato e deveria renunciar após o caos político causado pela implementação da lei marcial, que restringe direitos e atividades políticas, na última terça-feira (03/12).
Da mesma forma, o líder do PPP afirmou que Yoon vai ficar à margem da diplomacia e de outros assuntos de Estado enquanto permanecer no cargo.
Han prometeu ainda “uma investigação rigorosa e transparente” sobre a recente turbulência política e afirmou que o partido no poder manterá contatos regulares com o primeiro-ministro, Han Duck-soo, para evitar lacunas na gestão.
“Até a partida do f, o primeiro-ministro e o partido consultarão de perto para cuidar perfeitamente das questões de subsistência e dos assuntos de estado”, afirmou, segundo o jornal local Yonhap.
Ex-Ministro da Defesa preso
O ex-ministro da Defesa da Coreia do Sul, Kim Yong-hyun, foi detido também neste domingo (08/12) por ordem do Ministério Público, no âmbito da investigação sobre a lei marcial decretada por Yoon.
A prisão de Kim, que renunciou na última quinta-feira (05/12), ocorreu após interrogatório de promotores e a confiscação de seu telefone.
A promotoria optou pela prisão emergencial, considerando que existe o risco de destruição de provas relacionadas aos possíveis crimes investigados, o que poderia acarretar penas severas, inclusive prisão perpétua, segundo o código penal sul-coreano.
Kim, conhecido pela sua proximidade com o presidente Yoon, é visto como um dos altos funcionários que recomendou ao presidente a adoção da lei marcial e liderou a sua implementação.
Yoon escapou de impeachment
O Parlamento da Coreia do Sul rejeitou, neste sábado (07/12), o pedido de impeachment contra o presidente Yoon Suk Yeol, do Partido do Poder Popular (PPP), acusado de traição e ato inconstitucional devido a sua decisão de decretar lei marcial no país.
O resultado decorreu após um boicote da sigla governista Partido do Poder Popular (PPP), de extrema direita. Apenas três dos 108 deputados da legenda apareceram na Assembleia Nacional para a votação, que foi marcada na última quinta-feira (05/12).
Dos três parlamentares do PPP presentes na sessão dois votaram a favor da saída de Yoon do cargo e um contra. Já da oposição compareceram os 192 deputados, que votaram a favor do impeachment de Yoon: 170 membros do Partido Democrata da Coreia, 12 do Partido da Inovação da Pátria, três do Partido da Nova Reforma, três do Partido Progressista, um do Partido da Renda Básica, um do Partido Social Democrata, e dois independentes.
No total, a Assembleia Nacional registrou 195 votos: 194 a favor do impeachment de Yoon e um contra, não alcançando os 200 votos necessários para aprovar a moção e retirar o mandatário do cargo.
A votação no Parlamento foi acompanhada de protestos massivos. Segundo a polícia local, pelos menos 100 mil pessoas seguiam de perto a votação pelo impeachment de Yoon, estendendo a manifestação por quilômetros aos arredores do prédio. Após a rejeição da moção, as pessoas saíram do local insatisfeitas pela decisão e direcionando xingamentos ao boicote do PPP.
Durante uma reunião do Conselho Político Supremo, o líder do Partido do Poder Popular, Han Dong Hoon, maior aliado de Yoon durante seus dois de Presidência, indicou na última sexta-feira (06/12) que era a favor do impeachment do mandatário.
Pouco depois, o legislador Cho Kyung Tae, também do partido governista, expressou seu endosso à destituição de Yoon. Em seguida, Ahn Cheol Soo também anunciou que apoiaria o projeto de impeachment se o presidente não renunciasse.
Contudo, tais declarações não foram suficientes para a moção contra Yoon ser aprovada.
Histórico de insatisfação e pedidos de impeachment
Tudo começou em 20 de junho de 2024, com uma petição sendo publicada pela primeira vez no site oficial da ‘Petição para Consentimento Público da Assembleia Nacional’ da Coreia do Sul.
“A Assembleia Nacional deve propor imediatamente um projeto de impeachment contra o presidente Yoon Suk Yeol”, dizia o pedido, apontando para uma série de escândalos que envolvem o mandatário, incluindo a instigação de uma crise de guerra em decorrência das provocações à Coreia do Norte; a primeira-dama Kim Keon Hee acusada de manipular o preço das ações da empresa Deutsche Motors à favor de enriquecimento próprio, além do recebimento ilegal de bens de alto valor (caso da bolsa da Dior); inação sobre a tragédia de Itaewon com centenas de mortes e feridos; entre outros.
O documento seria apenas aceito pelo Parlamento se ao menos obtivesse 50 mil assinaturas, o que foi possível em apenas três dias. Em duas semanas, o pedido de impeachment já contava com o endosso de pelo menos 1,38 milhão de sul-coreanos.
“Está petição foi apresentada de acordo com a Lei. Mais de 1,3 milhão de pessoas se uniram. A Assembleia Nacional tem o dever de investigar as circunstâncias de forma adequada”, pontuou o Partido Democrático da Coreia, de centro e principal opositor do país.
A Comissão de Constituição e Justiça, responsável pela condução da petição, então, decidiu por examinar o pedido em julho ao realizar uma audiência e chamar testemunhas dos casos listados pela população.
Entretanto, o governista Partido do Poder Popular rebateu ao dizer que “sejam investigações legais ou alegações falsas, os casos listados não estão sujeitos à revisão mesmo que uma petição seja apresentada”. A sigla mencionou, entre outras, a acusação dos sul-coreanos envolvendo o fomento de uma crise política com Pyongyang. Justificou que “a razão pela qual temos um mau relacionamento com a Coreia do Norte é porque foi ela quem nos provocou, e não porque o presidente fez algo de errado”.
“As condições legais não estão reunidas. A audiência em si não pode ser realizada”, disse o partido governista.
Em novembro passado, a Assembleia Nacional formou uma coalizão para destituir o mandatário, com cerca de 40 membros dos partidos Democrata, da Inovação da Pátria, Progressista, do Rendimento Básico e Social Democrata.
Em resposta, na última terça-feira (03/12), Yoon presidiu uma reunião extraordinária no gabinete na tentativa de proclamar o ‘Comando de Lei Marcial’ de emergência, alegando que tal medida seria necessária para garantir a “proteção” do país contra a “ameaça de forças comunistas norte-coreanas”, sem apresentar quais seriam tais ameaças, a oposição e a “ditadura legislativa do Partido Democrata”, que constitui a maioria no Parlamento.
Quando decretou a lei marcial, que restringe direitos e proíbe atividades políticas no país, o presidente abriu seu discurso repudiando os pedidos de impeachment então propostos pelos parlamentares e acusou as forças oposicionistas de tentarem “conspirar” contra o seu governo.
(*) Com Sputnik, TeleSUR e colaboração da Redação Opera Mundi