Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Os Estados de Wisconsin, Michigan, Pensilvânia e Ohio, no nordeste dos Estados Unidos, votaram majoritariamente em Barack Obama duas vezes, mas romperam nesta terça-feira (08/11), na eleição que sagrou Donald Trump presidente dos EUA, a “parede azul” de 18 estados nos quais o Partido Democrata mantinha vantagem sobre o Partido Republicano desde 1992.

Conhecida como “Rust Belt” (“cinturão da ferrugem”), a área na qual prevaleceu a indústria de base dos EUA começa no estado de Nova York e abarca os estados de Pensilvânia, West Virginia, Ohio, Indiana, Michigan, e parte de Illinois, Iowa e Wisconsin.

Hillary contava com vitórias em Michigan e Wisconsin, com uma população com um perfil mais propenso a oscilar entre os dois partidos, mas não conseguiu convencer a maioria dos eleitores, que preferiu desta vez votar no Partido Republicano.

Apesar da exaustiva campanha eleitoral na Pensilvânia, acompanhada de Barack e Michelle Obama, Bruce Springsteen e Katy Perry, e o histórico do estado, que havia votado no Partido Democrata nas últimas seis eleições, Hillary também perdeu no Estado por 78 mil votos.

Classe trabalhadora da região votou no agora presidente eleito; diferença entre votos republicanos e democratas segundo escolaridade foi a maior desde 1980

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Agência Efe

Trump, desenhado em uma matroshka feita na Ucrânia: ele venceu Estados do 'Rust Belt'

A classe trabalhadora dessa região foi muito cortejada por Donald Trump durante sua campanha eleitoral. O discurso conservador de decadência dos Estados Unidos, o “Make America Great Again” (“Torne a América grandiosa novamente”, em tradução livre), tinha grande apelo junto à população de trabalhadores brancos sem educação universitária de Ohio.

O discurso também funcionou em Michigan, onde a indústria automobilística teve grande relevância depois da Segunda Guerra Mundial. O Estado, porém, sofreu um processo de desindustrialização a partir dos anos 1970 e 80 e viu nas últimas décadas um período de decadência e crise, representada pela cidade de Detroit, que declarou falência em 2013.

Entre os eleitores brancos sem educação universitária, Trump superou Hillary em 36 pontos percentuais; entre o eleitorado branco em geral, Trump a venceu com uma vantagem de 21%. Pessoas com diploma universitário apoiaram majoritariamente Clinton por uma margem de 9 pontos (52% a 43% para Trump), enquanto a maioria entre aqueles sem ensino superior apoiou Trump (52% a 44% para Hillary), a maior diferença de apoio entre pessoas graduadas na universidade e não graduadas desde 1980, segundo o instituto de pesquisas norte-americano Pew Research.

Segundo o instituto Edison Research, a renda média da população latina e negra, base do eleitorado democrata, é menor do que da classe trabalhadora branca. No entanto, a frustração da classe média branca empobrecida e um discurso contra a classe política tradicional foram alguns dos fatores que levaram ao triunfo do republicano.