Após inúmeras reuniões nos últimos dias, o governo uruguaio ainda não conseguiu chegar, nesta sexta-feira (07/09), a um acordo com o FFSP, sindicato dos trabalhadores do setor de saúde, que mantém ameaça de greve e ocupação dos hospitais públicos caso o presidente José Mujica não apresente nova proposta salarial.
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Nesta semana, José Mujica chegou a dizer que há “pessoas que querem ser agredidas” para que a situação fique insustentável
Durante esta semana, representantes dos ministérios de Economia e Saúde Pública chegaram aos valores pretendidos pelos trabalhadores, mas propuseram que o aumento seja concretizado apenas em 2014.
De acordo com o jornal El País, a dirigente do sindicato Beatriz Fajián afirmou nesta quinta-feira (06/09) que o governo voltaria atrás e assinaria hoje um acordo com o novo salário entrando em vigor já em 2013. A reunião prevista para esta sexta-feira, porém, não ocorreu e foi adiada para a próxima semana, provavelmente para o dia 11.
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As negociações, no entanto, têm demonstrado algum avanço. Embora a ameaça de ocupação dos hospitais públicos ainda persista, esse tipo de ação, que já estava sendo realizada, foi suspenso depois de uma reunião com o presidente, na quarta-feira.
As dificuldades de Mujica nas negociações com os funcionários públicos não se restringem à saúde. Sindicatos de trabalhadores dos setores de educação e de abastecimento de combustíveis também têm acumulado conflitos com o presidente, que se irritou com o assunto nesta quinta-feira.
“Há ativistas que desejam ser agredidos. É óbvio, há pessoas que querem ser reprimidas para que a situação fique insustentável”, afirmou Mujica ao semanário Búsqueda.
Os sindicalistas ficaram divididos ante as fortes declarações do presidente. Enquanto parte dos negociadores defendia a flexibilização das reivindicações, outros argumentavam em favor de uma greve de 24 horas.
Brasil
Durante o mês de agosto, a presidente Dilma Rousseff também encontrou dificuldades ao negociar aumento salarial para o funcionalismo público. Diversas classes entraram em greve e fizeram operação-padrão, como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O impasse foi resolvido na semana passada, quando os sindicatos aceitaram a proposta do governo de distribuir o reajuste salarial nos próximos três anos.