Deputada alemã pode repetir fenômeno Mamdani em Berlim, afirma Haaretz
Elif Eralp, do partido Die Linke, estuda campanha socialista em Nova York e desponta como aposta da esquerda nas eleições de 2026 na capital da Alemanha
A deputada estadual, Elif Eralp, do partido alemão Die Linke (A Esquerda), desponta como a principal aposta da esquerda na disputa da prefeitura de Berlim, programada para setembro de 2026, segundo reportagem do Haaretz.
Inspirada pela vitória do socialista Zohran Mamdani em Nova York, no último dia 4, a advogada vem apresentando uma plataforma de ações centradas em pautas sociais, priorizando a crise habitacional, o transporte público e o custo de vida na capital alemã. “De NY a Berlim: a esquerda está crescendo”, Eralp postou nas redes, ao comemorar a eleição do primeiro prefeito muçulmano da cidade.
Segundo o jornal israelense, a legenda vem estudando a estratégia da campanha eleitoral em Nova York e dando prioridade ao corpo a corpo com os eleitores. Para especialistas ouvidos pelo jornal, a combinação de reivindicações concretas com um projeto de justiça social pode alavancar sua candidatura na capital alemã.
O Die Link, aponta a reportagem, vem capitalizando o desgaste político do premiê alemão Friedrich Merz, que aprovou uma dura lei anti-imigração com apoio da extrema direita. Em fevereiro deste ano, o partido atraiu 9% dos votos nas eleições gerais, obtendo dezenas de milhares de novos filiados e vencendo por uma pequena margem em Berlim.

Elif Eralp desponta como principal aposta da esquerda na disputa da prefeitura de Berlim
Sandro Halank / Wikimedia Commons
Israel x Gaza
O jornal destaca que a capital alemã não passará imune às tensões relacionadas a Israel e Gaza e relata que diversas figuras proeminentes já deixaram o partido por considerarem seu posicionamento rígido e até antissemita. Durante a convenção partidária no começo do mês, duas moções chegaram a ser alteradas pelo partido.
Uma delas, conta a reportagem, afirmava que Israel cometeu genocídio em Gaza. No seu lugar, foi aprovada uma moção de compromisso condenando “os mais graves crimes de guerra e crimes contra a humanidade” cometidos por Israel, bem como a “ruptura histórica” causada pelos massacres no Festival de Música Nova e nos kibutzim vizinhos em 7 de outubro.
Durante o evento, a deputada afirmou que “o sofrimento e a dor de um lado não devem ser usados como contraponto ao sofrimento e à dor do outro lado”, e acusou o atual prefeito de Berlim, Kai Wegner, de não ter se reunido sequer uma vez com parentes de palestinos de Gaza e de reforçar narrativas anti-mulçumanas na cidade, que é lar na maior comunidade palestina da Europa.
Wegner lidera as pesquisas pelo partido conservador CDU e será o principal adversário da deputada nas eleições do próximo ano. Se vencer, o Die Link deverá obrigatoriamente estabelecer uma coalização com os social-democratas e os verdes, o que poderá amenizar sua pauta combativa, alerta a reportagem.























