Seis dias após um atirador entrar em uma sala de cinema da cidade norte-americana de Aurora e matar arbitrariamente 12 pessoas que assistiam à estreia do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, um senador da Rússia pediu a flexibilização da rígida lei de porte de armas em vigor no país.
O argumento do parlamentar Alexander Torshin é o de que aumentar o número de armas de fogo entre civis “reforçará a segurança pública” e “melhorará a sociedade como um todo”. Ativistas pela defesa dos Direitos Humanos se indignaram com essas declarações e acusaram Torshin de “buscar apenas publicidade”.
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De acordo com a agência Interfax, o senador alegou, durante uma sessão do Congresso russo, que “possuir armas de fogo nos disciplina e irá mudar a atmosfera da sociedade”, isso porque “as pessoas não irão mais agir fora da lei”.
Em entrevista ao jornal Moscow Times, o porta-voz do movimento Direito por Armas e co-autor do projeto de Torshin, Dmitry Kislov, disse que a iniciativa é um primeiro passo rumo a uma mudança nas leis e atitudes que regem a posse de armas na Rússia. Para ele a Polícia se opõe a uma flexibilização do porte de armas somente porque “isso dá mais trabalho a seus oficiais”.
No que diz respeito ao recente massacre de Aurora, nos Estados Unidos, Kislov reconheceu que essa foi “uma grande tragédia”. Ele admite que isso tornou “infeliz” o momento escolhido por Torshin para o anúncio de sua proposta, mas, ainda assim, insiste que “na sociedade norte-americana nada disso é típico”.
Torshin representa a república de Marii-El, região onde estão situadas as principais fabricantes de armas de fogo da Rússia. Kislov, contudo, descarta a hipótese de o projeto representar um lobby em favor de representantes do setor bélico e ressalta que o principal objetivo é “distribuir armas a quem possui responsabilidade suficiente”.
O parlamentar cogita a instalação de um referendo para a apreciação de seu projeto de lei. Mas pesquisas recentes de opinião pública não apresentam bons panoramas para seu projeto. De acordo com a consultoria Levada, 80% dos russos se opõem à legalização do porte de armas por civis e apenas 13% se revelam favoráveis à medida.