Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
APOIE
Menu

O ano de 2025 foi marcado pela volta de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos. No primeiro semestre, o republicano promoveu uma ofensiva comercial contra vários países do mundo; no segundo, reposicionou a mira contra a região da América Latina, militarizando o Caribe contra a Venezuela, em uma escala sem precedentes.

Enquanto isso, no Brasil, a resistência à escalada da extrema direita emergiu em múltiplas frentes: o cinema brasileiro celebrou a memória da luta contra a ditadura no Oscar e o país demonstrou soberania ao prender um ex-presidente golpista. O governo brasileiro também sediou dois grandes eventos internacionais: a Cúpula do BRICS e a COP30.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Opera Mundi listou alguns dos principais episódios do ano, confira:

1. Sanções de Trump

O ano de 2025 começou com as ameaças tarifárias de Donald Trump. Logo depois que assumiu o cargo, em 20 de janeiro, o líder republicano implementou altas taxas de importação sobre produtos provenientes dos três maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos: Canadá, China e México

Mais lidas

As ameaças tarifárias ao Brasil começaram em julho, quando Trump enviou uma carta a Lula misturando alegações comerciais e políticas (como a perseguição ao ex-presidente Bolsonaro) para justificar a taxação de 50% sobre produtos brasileiros.

Em 6 de agosto entrou em vigor o tarifaço imposto sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos. A medida, assinada pelo presidente norte-americano, afetava 35,9% das mercadorias enviadas ao país, o que representava 4% das exportações brasileiras. Os esforços diplomáticos do Brasil, no entanto, conseguiram reverter boa parte dessas cobranças. Em novembro, Trump retirou a sobretaxa de uma extensa lista de mercadorias, após o início das negociações diretas com o presidente Lula.

2. Ainda Estou Aqui no Oscar

O filme brasileiro Ainda Estou Aqui venceu em 2 de março o Oscar de Melhor Filme Internacional, na edição de 2025 do prêmio entregue pela Academia de Cinema de Hollywood, considerado o mais importante da Sétima Arte nos Estados Unidos. A cerimônia foi realizada em Los Angeles.

Durante seu discurso, após receber a estatueta, o cineasta Walter Salles dedicou o prêmio à memória de Eunice Paiva, que inspirou a personagem que protagoniza o seu filme. “Este prêmio vai para uma mulher que depois de uma perda tão grande, durante um regime autoritário, decidiu não se dobrar, e resistir”, ressaltou.

3. Grandes perdas de 2025

Pepe Mujica

O ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica morreu em 13 de maio aos 89 anos. O líder da esquerda uruguaia estava sob cuidados paliativos decorrente do câncer no esôfago, problema de saúde que foi diagnosticado em abril de 2024.

Mujica integrou a resistência contra a ditadura uruguaia nas fileiras do Movimento de Libertação Nacional, Tupamaros (MLN-T), e permaneceu 13 anos preso. Eleito presidente do Uruguai, pela Frente Amplia, em 2009, seu governo (2010-2015) foi considerado um marco pelos avanços econômicos, importantes conquistas sociais e uma ampliação sem precedentes dos direitos civis.

Papa Francisco

Jorge Bergoglio, conhecido como Papa Francisco, morreu aos 88 anos em 21 de abril, devido a uma parada cardiocirculatória em decorrência de um AVC, após mais de dois meses de luta contra uma grave pneumonia.

Seu pontificado foi marcado por uma tentativa corajosa — e muitas vezes turbulenta — de modernizar uma instituição milenar, frequentemente resistente a mudanças. Enfrentando tensões internas, Francisco propôs uma Igreja mais próxima dos pobres e marginalizados, mais transparente e comprometida com a justiça social, ambiental e inter-religiosa. Seu trabalho papal também foi caracterizado pela denúncia das desigualdades sociais, críticas ao sistema capitalista e rejeição firme de crimes sexuais entre o clero.

4. BRICS e COP30 no Brasil

Em 2025, o Brasil consolidou seu protagonismo no cenário global ao sediar com sucesso duas cúpulas estratégicas: a presidência do BRICS (6 e 7 de julho) e a COP30 (7 a 21 de novembro).

À frente do bloco dos países emergentes, o governo brasileiro conduziu debates centrais para a reforma da governança multilateral, com avanços na discussão sobre uma moeda alternativa de comércio e na criação de mecanismos de financiamento para o desenvolvimento soberano.

O Brasil também sediou neste ano a Conferência do Clima da ONU (COP30), ocorrida em Belém, no Pará. O governo brasileiro defendeu que a transição ecológica deve ser justa e financiada pelos países historicamente responsáveis pelas emissões, colocando a soberania e os direitos dos povos da floresta no centro das negociações.

5. Imigrantes nos EUA acorrentados

O governo Trump promoveu, conforme sua promessa de campanha, uma perseguição ferrenha contra os imigrantes não documentados no país ao longo deste ano. Relatório divulgado em 21 de julho pela Human Rights Watch (HRW) alegou abusos em três centros de detenção do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA apenas no estado da Flórida. Na prisão de Miami-Dade, migrantes foram acorrentados, com as mãos amarradas nas costas e forçados a comer em pratos de isopor, de joelhos, segundo testemunhas.

O centro Alligator Alcatraz também foi alvo de denúncias de higiene precária, má alimentação e maus-tratos contra os migrantes detidos. As organizações de direitos humanos pediram uma revisão das condições nos centros de detenção do ICE, alertando para uma crise de direitos humanos no país.

6. Ataques dos EUA à Venezuela

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou em 14 de agosto o envio de tropas para o sul do mar do Caribe para realizar operações militares na região. Ele alegou como objetivo a prisão de grupo narcotraficantes e relacionou um desses grupos ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Washington anunciou posteriormente a Operação Lança do Sul, com o objetivo oficial de “eliminar narcoterroristas” do Hemisfério Ocidental e “proteger” os EUA “das drogas que estão matando” seus cidadãos. Trump também vem ameaçando sistematicamente ataques terrestres na Venezuela.

Após meses de interferência, o bombardeio de embarcações nos mares caribenhos já resultou em mais de 100 mortes, sem qualquer prova de que as vítimas traficavam narcóticos. Em 16 de dezembro, Trump afirmou que o governo venezuelano liderado pelo presidente Nicolás Maduro foi designado como uma “organização terrorista estrangeira” e que o território está “completamente” cercado, levantando um bloqueio naval contra os petroleiros do país.

Washington afirma que não se retirará da região até que a nação sul-americana devolva os bens roubados pelo país. Diversas nações, como China e Rússia, se pronunciaram contra a ingerência norte-americana, ressaltando a violação aos direitos internacionais e à soberania do país caribenho.

7. Boicote ao discurso de Netanyahu na ONU

Assim que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, subiu ao pódio para abrir os discursos da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em 26 de setembro, diversas delegações abandonaram o plenário em forma de protesto contra a política genocida promovida pelo seu governo na Palestina. Entre os países que deixaram o local, está o Brasil, conforme apurado por Opera Mundi.

Leia | Milhares protestam em Nova York durante discurso de Netanyahu na ONU

Nas imagens transmitidas, é possível ver alguns funcionários usando o keffiyeh (lenço palestino) em expressão de solidariedade ao povo da Palestina. Na plateia houve vaias, enquanto aqueles que aplaudiram permaneceram no local para acompanhar o discurso de Netanyahu.

8. Acordo de cessar-fogo em Gaza

O acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza entrou em vigor em 10 de outubro, após sua aprovação pelo Parlamento israelense e um dia depois de ser assinado por representantes de Israel, do grupo de resistência palestino Hamas e dos três países pelos mediadores: Catar, Egito e Estados Unidos.

Apesar da primeira fase de trégua, Israel cometeu mais de 813 violações do cessar-fogo, atirou contra civis mais de 205 vezes, invadiu áreas residenciais além da linha amarela mais de 37 vezes, bombardeou e atacou Gaza pelo menos 358 vezes e demoliu propriedades de pessoas em 138 ocasiões.

O Ministério da Saúde palestino informou que pelo menos 394 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde 11 de outubro, o primeiro dia completo do cessar-fogo. Outras 1.075 pessoas ficaram feridas.

A guerra genocida de Israel contra Gaza matou pelo menos 70.668 palestinos e feriu 171.152 desde outubro de 2023. Um total de 1.139 pessoas foram mortas em Israel durante os ataques de 7 de outubro de 2023, e cerca de 200 foram feitas prisioneiras.

9. Muçulmano é eleito prefeito em NY

Um muçulmano, socialista e pró-Palestina irá comandar a cidade de Nova York a partir de 2026. Em 4 de novembro, aos 34 anos, o deputado estadual Zohran Mamdani venceu as eleições com 50,6% dos votos.

Sua campanha foi ancorada na defesa da diminuição do custo de vida dos trabalhadores nova-iorquinos e tornou-se uma voz contrária à agenda do presidente Donald Trump e de sua base Maga. Ele denunciou a islamofobia na cidade, com mais de meio milhão de muçulmanos; condenou a política migratória da Casa Branca e trouxe para o debate o genocídio de Israel na Faixa de Gaza.

10. Bolsonaro é preso pela PF

A Polícia Federal (PF) realizou, em 22 de novembro, a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, cumprindo as determinações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o líder da extrema direita brasileira violar a tornozeleira eletrônica.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado Democrático, golpe de Estado, dano qualificado pela violência, grave ameaça contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.