Durante cúpula do BRICS, chanceler sul-africano rebate Trump e nega ‘genocídio branco’
Chanceler afirmou que não há ‘ameaças’ que justificam as ‘acusações’ do presidente dos EUA
O ministro das Relações Exteriores e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola, negou neste domingo (06/07) a existência de um genocídio branco denunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu país. A declaração da autoridade ocorreu à margem da Cúpula do Brics no Rio de Janeiro.
O republicano passou a acusar, sem provas, que o governo do país africano discriminava sua população branca, conhecida como afrikaners.
As alegações levaram Trump a constranger publicamente o presidente do país, Cyril Ramaphosa, durante uma reunião na Casa Branca, ao transmitir um vídeo mostrando mostrava “túmulos de milhares de fazendeiros brancos”. Além disso, seu governo chegou a conceder status de refugiado a membros da comunidade.
“Não há nenhuma ameaça que justifique essas acusações”, declarou Lamola, especificando que dos 252 casos de ataques contra fazendas nos últimos quatro anos, 102 foram majoritariamente contra negros e trabalhadores rurais.
O ministro sul-africano detalhou ainda que “cerca de 50 vítimas eram proprietários de fazendas, em sua maioria brancos”.
“Esses números não sustentam as acusações de genocídio”, disse ainda. Conforme o chanceler sul-africano, em seu país, as populações negra, branca e indígena convivem “lado a lado”.
Em relação à criminalidade na África do Sul, o ministro admitiu os desafios para o combate, mas garantiu as “instituições e plataformas para resolver as disputas no país, com um Judiciário independente e outros órgãos criados para lidar com questões de desigualdade e outros conflitos que possam surgir”.

Chanceler sul-africano detalhou que dos 252 de casos de ataques contra fazendas nos últimos quatro anos, 102 foram majoritariamente contra negros e trabalhadores rurais
Ronald Lamola/Instagram
Fortalecimento das transações em moedas locais
O ministro Ronald Lamola também comentou a importância de fortalecer as transações financeiras e comerciais entre os países nas moedas locais, como ocorreu em um empréstimo realizado em rands sul-africanos, a moeda local do país, pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).
Citando a presidente do NBD, Dilma Rousseff, a autoridade sul-africana explicou que esse formato “é mais econômico e barato”. “Estamos nos esforçando para avançar nessa direção para que possamos realizar mais comércio entre os países do BRICS em nossas próprias moedas. Mas isso é um processo que levará algum tempo, porém estamos caminhando para isso”, declarou.
Além disso, o chanceler sul-africano pontuou que o mundo atualmente conta com atores globais que podem contrabalancear o sistema unilateral e unipolar, como a China.
“Como África do Sul, vemos essa plataforma do BRICS como essencial para parcerias que contribuam para o nosso desenvolvimento como país”, disse ainda.
O chanceler também foi questionado sobre o motivo da declaração de líderes da cúpula deixar de citar, mais uma vez, o apoio do BRICS a um assento da África do Sul no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), e manter o apoio a Índia e Brasil.
No documento, o grupo afirma apoiar apenas uma cadeira que representa a África. Desde a entrada de Etiópia e Egito, o assunto deixou de ser consenso.
“Para avançarmos e para que as declarações sejam adotadas e aceitas, alguns compromissos precisam ser feitos. E a Cúpula de Kazan [Cúpula do BRICS na Rússia em 2024] foi resultado de um compromisso, já que ocorreram muitas discussões antes. E o que conseguimos lá, ao recordar a declaração de Joanesburgo [em que foi anunciada a maior expansão da história do grupo], foi também fruto de um debate intenso”, respondeu.
(*) Com Sputnik
























