O Conselho de Ministros do Egito classificou a Irmandade Muçulmana como “organização terrorista” e acusou o grupo de ser o autor do atentado suicida que matou 16 pessoas e deixou mais de cem feridos em um prédio da polícia egípcia na última terça-feira (24/12). Após a declaração, forças de segurança egípcias prenderam 65 membros e partidários do grupo em batidas lançadas em vários pontos do país.
A declaração formal do governo egípcio foi feita nesta quarta-feira (25/12) pelo vice-primeiro-ministro, Hosam Issa, segundo informou a agência estatal de notícias Mena.
Agência Efe

Membros da Irmandade Muçulmana após reunião do grupo, em 2011; governo egípcio os classificou de “organização terrorista”
Todas as atividades do grupo, incluindo marchas e protestos, estão banidas e serão impedidas pelas forças de segurança egípcias. Quem faz parte da Irmandade Muçulmana — movimento do presidente deposto Mohammed Mursi —, financia ou promove ações do grupo será afetado pela declaração, disse o vice-premiê Issa.
Desde que Mursi foi deposto pelo exército, no início de julho, a Irmandade Muçulmana tem organizado protestos quase que diariamente em diversos pontos do Egito. Autoridades têm culpado sistematicamente o grupo pela onda de violência que atinge o país. A Irmandade Muçulmana nega envolvimento.
No mais recente episódio, pelo menos 16 pessoas morreram quando uma bomba explodiu em um prédio da polícia na cidade de Mansoura, no delta do Nilo. O grupo extremista do Sinai Ansar Bayt al-Maqdis (apoiadores de Jerusalém, em árabe) reivindicou a responsabilidade pelo ataque, mas o governo continua a acusar a Irmandade Muçulmana de estar por trás da ação.
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Prisões
Dos 65 que a polícia egípcia afirma ter prendido, 42 pessoas foram detidas em Tanta, Qatur, Al Mahala e Zafta, na província de Al Garbiya, no delta do rio Nilo. Todas elas, incluídos dois ímãs de mesquitas locais, são acusadas de causar distúrbios e incitar à violência.
Os serviços de segurança prenderam também 11 membros da confraria nas cidades de Qena e Nagaa Hamadi, na província de Qena, no sul do país, por incitar à violência e distribuir folhetos que convocam a boicotar o referendo constitucional convocado para 14 e 15 de janeiro.
Outros 11 integrantes da Irmandade foram detidos na província meridional de Assuã por essas mesmas acusações e por bloquear estradas.
Além disso, a agência egípcia informou que o filho do vice-guia da Irmandade Muçulmana Gomaa Amin Mustafa e o ex-deputado do Partido Liberdade e Justiça (PLJ, braço político da confraria) foram detidos na cidade de Alexandria.
O primeiro-ministro do presidente cassado Mohammed Mursi, Hisham Qandil, detido ontem, foi levado para a prisão de Tora, onde estão centenas de dirigentes e membros da Irmandade Muçulmana.
Segundo um comunicado do Ministério do Interior, Qandil foi detido no cumprimento de uma decisão judicial, “junto com um contrabandista quando tentava escapar para o Sudão”.
Em Tora, cerca de 450 seguidores e membros da Irmandade declararam greve de fome esta semana em protesto pelas condições desta prisão.
* Com informações da agência de notícias Efe