O enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, iniciou nesta segunda-feira (10/09) sua missão de buscar uma solução ao conflito sírio que assola o país há 18 meses. Atualmente no Cairo, capital do Egito, o diplomata argelino se prepara para sua viagem à Síria e ao Irã.
“Eu sei que é uma missão muito difícil, mas acredito que não tenho o direito de recusar qualquer assistência que posso dar ao povo sírio”, disse ele nesta segunda (10/09) em uma conferência de imprensa segundo o jornal britânico The Guardian.
NULL
NULL
Brahimi se reuniu com o secretário geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, na sede do bloco na capital egípcia e nas próximas horas, deve se encontrar com o presidente do Egito, Mohammed Mursi, um dos críticos do regime de Bashar al Assad.
Segundo informações de jornais internacionais, o diplomata argelino deve viajar à Síria nos próximos dias para negociar com membros da sociedade civil e do governo tanto na capital do país quanto nas outras cidades. Perguntado se encontraria com o presidente sírio, Brahimi respondeu “Eu espero que sim, mas não tenho certeza”, informou a agência internacional AFP.
Depois de sua visita à Síria, Brahimi deve se encontrar com representantes do governo iraniano em Teerã, disse a agência estatal Iranian Mehr.
“Quase impossível”
Desde que assumiu o posto no fim de agosto em substituição à Koffi Annan, o diplomata argelino lida com uma complicada situação na Síria, que não só divide a sociedade do país como também as potências internacionais. Estima-se que pelo menos 25 mil pessoas foram mortas em 18 meses de confrontos.
Em uma recente entrevista à rede britânica BBC, o mais novo mediador do conflito descreveu sua missão como “quase impossível” e reiterou que assume o cargo sem nenhuma ilusão. “Eu sei o quanto é difícil. Não posso dizer impossível – mas, é quase impossível”, afirmou o diplomata que disse já sentir o “peso da responsabilidade”.
Brahimi explicou que alcançar uma solução diplomática para o conflito é muito difícil e acrescentou que pouco está sendo feito nesta direção. “As pessoas estão dizendo ‘O povo está morrendo, o que está sendo feito?’ E não estamos fazendo muito. E isso é um peso terrível”, contou ele.
O diplomata, que já serviu na África do Sul depois do fim do apartheid e no Iraque após a intervenção dos Estados Unidos, disse sentir que está na frente de uma parede de tijolos, procurando por rachaduras que podem levar a uma solução.
Annan renunciou ao cargo de enviado especial no dia 2 de agosto por não enxergar maneiras de solucionar o conflito na Síria. “É impossível para mim ou para qualquer outra pessoa convencer o governo e a oposição a dar os passos necessários para abrir um processo político”, disse ele na ocasião.