O Ministério do Interior de Cuba divulgou uma nota na noite desta sexta-feira (27/06) explicando as causas do acidente automobilístico que causou a morte de dois dissidentes cubanos, ocorrido em Bayamo, na província de Granma (sul do país) no último dia 22.
De acordo com a nota, o excesso de velocidade e a falta de atenção do motorista, no caso, o militante político espanhol Ángel Carromero, foram os dois principais fatores das causas das mortes de Oswaldo Payá e Harold Cepero. Carromero e outro militante, Jens Modig,de nacionalidade sueca, ficaram feridos com a batida.
“A partir da análise lógica do tempo de viagem (cerca de 800 quilômetros em menos de oito horas, com três paradas para descanso), as declarações das testemunhas e o estudo pericial do local do acidente e do veículo, a equipe investigativa concluiu que Ángel Francisco Carromero Barrios conduzia a uma velocidade média superior a 120 quilômetros por hora. Sua falta de atenção ao controle do veículo, o excesso de velocidade e a incorreta decisão de frear de maneira abrupta em uma superfície escorregadia foram as causas que determinaram este trágico acidente que custou a vida de dois seres humanos”, afirmou a nota.
Cubadebate

Carro envolvido no acidente foi mais danificado na parte traseira, onde estavam os dois dissidentes
O veículo alugado por Carromero saiu da capital Havana às 6h do mesmo dia com destino a Santiago de Cuba, sul do país, onde, segundo ativistas da oposição cubana, os quatro passageiros pretendiam investigar informações sobre uma epidemia de cólera na região e tentar culpabilizar o governo cubano por negligência.
De acordo com a perícia, ele se encontrava em excesso de velocidade (no local o máximo permitido era de 60 quilômetros por hora). Carromero teria ignorado a sinalização em um trecho que estava em reformas e com piso escorregadio. Após entrar nesse trecho em alta velocidade e frear de forma brusca, o motorista perdeu o controle de veículo, que derrapou por 63 metros até bater contra uma árvore na beira da estrada.

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As duas vítimas fatais, Payá e Carromero, estavam no banco de trás, local mais atingido pela batida e não usavam cinto de segurança. Payá, segundo a perícia, morreu na hora em razão de um traumatismo craniano-encefálico em razão do forte impacto, enquanto Cépero morreu no hospital por insuficiência respiratória.
Segundo a nota oficial, o espanhol Ángel Carromero, que se encontra preso em Bayamo, declarou que não se lembra de ter visto a sinalização e também não pôde precisar a velocidade em que estava no momento do acidente. O cidadão sueco, por sua parte, declarou que ele estava dormindo quando sentiu a forte freada e que perdeu a consciência depois.
Ofelia Acevedo, a viúva de Payá, disse hoje à Agência Efe que não aceita o relatório oficial do governo da ilha sobre as causas do acidente e que reivindica um encontro com os dois sobreviventes.
“Enquanto não conversar com Ángel e Aron, os últimos que viram meu marido com vida, não tiver acessos às provas periciais e nem a assessoria de pessoas independentes do governo cubano, não posso ter ideia do que realmente aconteceu”, disse Ofelia à agência Efe.
Carromero é militante pelo PP (Partido Popular espanhol), de viés conservador e com ligações com os dissidentes, enquanto Modig é líder da juventude dos Democratas Cristãos da Suécia.