Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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O movimento estudantil chileno reagiu às acusações do governo de Sebastián Piñera, que o responsabiliza pelos atos de violência registrados durante as últimas manifestações por mudanças no sistema educacional. Na tarde desta sexta-feira (28/10), a Confech (Confederação dos Estudantes do Chile) entregará à CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos) um informe sobre os crimes protagonizados por policiais durante a série de protestos no país. O objetivo é denunciar as violações aos direitos humanos realizadas pelas forças de segurança.

A apresentação do documento “Direitos Humanos e Manifestações Públicas no Chile” contém um relatório com as demandas do movimento estudantil, além de um informe, elaborado pelo INDH (Instituto Nacional de Direitos Humanos) do Chile, relatando abusos cometidos por policiais durante as passeatas dos últimos cinco meses. Ela será realizada durante sessão especial da entidade autônoma ligada à OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington.
 

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Segundo Francisco Figueroa, vice-presidente da Fech (Federação de Estudantes da Universidade do Chile) e um dos idealizadores do plano de internacionalização do movimento, “falam tanto dos encapuzados e nunca se vê nenhuma ação policial concreta onde eles atuam. Por outro lado, o informe que temos demonstra como os carabineiros (polícia militar chilena) abusam da força em áreas onde ocorrem manifestações pacíficas”.
 
Para a Confech, o informe contém denúncias, reforçadas por fotos e vídeos, de utilização de métodos abusivos contra manifestantes pacíficas, tortura a estudantes e tentativa de violação de garotas dentro de furgões policiais, além de agressões e detenções indiscriminadas. Também denunciam o uso de armas de fogo contra manifestantes, como no caso da morte do menor Manuel Gutiérrez, atingido por uma bala disparada por um policial, na noite de 25 de agosto.

INDH

A presidente da Fech, Camila Vallejo (esq.), acompanhada de Lorena Fries, presidente do INDH e de Francisco Figueroa
 
Outra acusação importante presente no informe do INDH diz respeito aos cursos sobre direitos humanos oferecidos aos policias chilenos. Segundo o relatório, eles são ministrados por oficiais aposentados das Forças Armadas, que atuaram durante a era da ditadura, comandada pelo general Augusto Pinochet (1973-1990).
 
Para o advogado, analista político e ex-diretor da filial chilena da ONG Transparência Internacional, Jorge Navarrete, a estratégia dos estudantes pode ser um duro golpe contra o governo, que atinge o recorde negativo de popularidade na atual era democrática (22%). Entretanto, o sucesso dessa iniciativa vai depender da repercussão internacional do caso. “Este é o primeiro governo de direita depois de Pinochet, e está muito atento à imagem que projeta no mundo. Se os estudantes conseguirem solidariedade na comunidade internacional, obterão um trunfo importante”, analisou.


 
Navarrete não acredita que as denúncias dos estudantes à CIDH terminarão em sanções ao estado chileno, e tampouco crê que seja essa a estratégia dos estudantes. Para ele, “as denúncias tem objetivo de divulgar a mensagem dos estudantes”, o que ele considera uma resposta adequada ao “esforço do governo de estigmatizar o movimento, após ter tentado menosprezá-lo e, depois, dividi-lo”, aparentemente sem sucesso.


 
A viagem a Washington não é a primeira realizada este mês pelos líderes da Confech em busca de apoio internacional às suas demandas. No dia 6 de outubro, uma delegação viajou para a Europa, onde se reuniu com membros da Comissão de Educação da União Europeia e da Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas). A agenda culminou em um encontro com Stéphane Hessel, um dos inspiradores dos movimentos mundiais dos “indignados”, e com a participação na marcha equivalente em Paris no último dia 15, a convite dos estudantes locais.

Informe acusa policiais de abuso da força em áreas onde ocorrem manifestações pacíficas

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