Os Estados Unidos impuseram nesta quarta-feira (27/08) novas tarifas de 25% sobre a maioria das importações vindas da Índia, dobrando o percentual vigente para 50%. A nova taxa é uma retaliação do presidente Donald Trump por Nova Délhi manter as compras de petróleo russo a preços reduzidos.
O primeiro-ministro Narendra Modi afirmou que o país não cederá à pressão norte-americana. “Os interesses de nossos agricultores e pequenas empresas e laticínios vêm em primeiro lugar. Meu governo garantirá que eles não sejam afetados”, disse, em comício em Gujarat, nesta terça-feira (26/08).
“Todos nós devemos seguir o mantra de comprar apenas produtos ‘Made in India’”, complementou Modi ao incentivar donos de lojas a exibirem cartazes promovendo os produtos nacionais. “A pressão sobre nós pode aumentar [por causa das tarifas], mas vamos suportá-la”.
Já o ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, acusou os EUA de “hipocrisia”, lembrando que países europeus continuam a negociar volumes muito superiores com Moscou.
O governo indiano estima que mais de US$ 48 bilhões em vendas serão afetados. Em 2024, a Índia exportou mais de US$ 87 bilhões em bens para o mercado norte-americano.
Países como a China e a própria Rússia condenaram a medida assim que ela foi anunciada por Trump no final de julho. The Guardian destaca que as sanções irão fortalecer as relações comerciais da Índia com estes países: o presidente russo Vladimir Putin deve visitar Nova Déli ainda este ano, e Modi fará sua primeira viagem à China em sete anos para participar da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai.
As sanções recaem especialmente sobre setores intensivos em mão de obra, como têxteis, joias, couro, pescados e parte da indústria automotiva. Produtos estratégicos como farmacêuticos e eletrônicos foram poupados das tarifas.

‘Interesses de nossos agricultores e pequenas empresas vêm em primeiro lugar’, afirma Modi
White House / Flickr
Autoridades ouvidas por The Guardian alertam que os novos impostos podem tornar inviáveis diversas exportações, com risco de fechamento de fábricas, perda de empregos e desaceleração do crescimento. A Federação das Organizações de Exportação (FIEO) relatou paralisações em fábricas de roupas em Tirupur, Délhi e Surat devido à perda de competitividade frente a concorrentes de países como China, Vietnã e Tailândia, que enfrentam tarifas bem menores.
O mercado financeiro também reagiu: o índice Sensex de Bombaim caiu 1% na véspera da entrada em vigor da medida. Economistas, como Santanu Sengupta, do Goldman Sachs, ouvidos pelo jornal britânico, projetam que, se mantidas, as tarifas podem reduzir o crescimento indiano para abaixo de 6% ao ano.