Sexta-feira, 7 de agosto de 2026
APOIE
Menu

 

No Chile, o lítio é um mineral considerado estratégico por um decreto constitucional de 1979, do ditador Augusto Pinochet, que foi ratificado no ano seguinte pela carta magna da ditadura, vigente até hoje, que vedou sua concessão a terceiros, e foi revalidado pelos presidentes democráticos que sucederam o general.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Siga!
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize!

Leia mais:
Privatização da extração de lítio gera conflitos políticos, econômicos e sociais no Chile
Campanha defende lítio como impulso à industrialização chilena

A proibição, porém, contrasta com o fato de que o pouco que o Chile produz de lítio atualmente (apesar de o governo estimar que as reservas virgens localizadas na região do Atacama, no norte do Chile, constituírem cerca de 80% do que o país possui) é produzido exclusivamente por empresas privadas.

Mais lidas

Isso é possível graças a contratos excepcionais que permitiram a licitação de reservas menores.

Wikicommons

Trem de carga da SQM transportando material das minas da empresa.

O metal era um recurso considerado estratégico pelas Forças Armadas, e foi um dos principais temas de conflito com os chamados Chicago Boys, economistas chilenos formados na Universidade de Chicago, que implantaram o neoliberalismo no país durante a ditadura. Eles defendiam a privatização de todos os minerais.

Apesar da proibição constitucional de se terceirizar a exploração de lítio ter sido uma vitória dos militares, um dos mais proeminentes dos Chicago Boys, o economista José Piñera, irmão mais velho do atual presidente chileno, conseguiu criar em 1982, quando ministro de Mineração, um subterfúgio legal.

Julio Ponce Lerou é proprietário da SQM, responsável por cerca de dois terços da produção

NULL

NULL

 

Com isso, o então presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle conseguiu privatizar algumas reservas de lítio, em contratos cujos beneficiários foram a chilena SQM, a alemã Chemetall e a norte-americana Simbalik.

Dois terços do que o Chile produz de lítio atualmente provêm da SQM, novo nome da antiga estatal Soquimich (Sociedade Químico Mineira do Chile), que foi criada para produzir químicos para a mineração do cobre.

O proprietário da SQM é Julio Ponce Lerou, um ex-genro de Pinochet que durante a ditadura foi presidente da Corfo (Corporação de Fomento Industrial e Empresarial) e se tornou dono da empresa antes de acabar seu casamento – que não durou mais de dois anos após o fim do regime do ex-sogro.

Entretanto, as reservas de lítio exploradas pela SQM não foram concedidas por Pinochet e sim pelo governo democrático de Ruiz-Tagle – filho do também presidente Eduardo Frei Montalva, que curiosamente foi o criador da Soquimich, em 1968.