Ex-premiê israelense admite laços com Epstein: 'lamento ter conhecido'
Ehud Barak afirma que hospedar-se em apartamento do financista 'não era ilegal' e admite visita à ilha, declarações sobre 'garotas russas' e recebimento de doações do criminoso sexual
O ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak afirmou que se arrepende de ter mantido contato com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein após a condenação deste em 2008 por aliciamento de menor para prostituição, em meio às repercussões geradas pela divulgação de milhões de arquivos.
Em entrevista ao Canal 12 de Israel na quinta-feira (12/01), Barak disse ser “responsável por todas as minhas ações e decisões. Há espaço para questionar se eu deveria ter investigado mais a fundo. Lamento não tê-lo feito”.
No entanto, apesar de Epstein ter sido condenado por aliciar uma menor para prostituição em 2008 e ter passado cerca de um ano na prisão durante o período em que mantiveram o relacionamento, Barak alegou desconhecer a dimensão dos crimes de Epstein até que uma investigação mais ampla contra ele fosse aberta em 2019. “Nunca presenciei qualquer ocorrência ou comportamento anormal”.
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Barak não negou seus contatos com Epstein após sua condenação em 2008, que incluíram estadias, juntamente com sua esposa, na casa do financista em Manhattan em diversas ocasiões entre 2015 e 2019, além de troca de e-mails e encontros pessoais.

Ehud Barak afirma que hospedar-se em apartamento de propriedade de um agressor sexual não era ilegal e desejar que garotas russas ‘altas e magras’ migrassem para Israel foi uma ‘escolha infeliz de palavras’
Departamento de Justiça dos EUA
Ele também admitiu ter visitado a notória ilha de Epstein nas Ilhas Virgens Americanas, Little Saint James, onde supostamente ocorreram festas envolvendo vítimas de tráfico sexual. Ele disse que foi uma visita única, de três horas em plena luz do dia, acompanhado de sua esposa e três seguranças, e que não viu nada lá além de Epstein e alguns funcionários.
Barak tentou minimizar seus contatos comerciais e sociais contínuos com Epstein após sua condenação em 2008, dizendo que, durante esse período, o financista era amplamente tratado como alguém que havia “pago sua dívida com a sociedade” e sido reintegrado à vida pública.
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Os laços entre Epstein e Israel ficaram evidentes após a divulgação de milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), que também revelaram sua proximidade com outras lideranças mundiais, como o atual presidente dos EUA, Donald Trump.
Comentários demográficos sobre ‘controle de qualidade’
Durante a entrevista, Barak também foi questionado sobre comentários que havia feito em uma gravação com Epstein, a respeito de Israel compensar o crescimento da população com a absorção de um milhão de imigrantes de língua russa.
“Podemos absorver facilmente mais um milhão. Eu sempre dizia a [o presidente russo Vladimir] Putin que só precisávamos de mais um milhão”, diz ele no áudio divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA no mês passado.
Uma onda migratória desse tipo significaria que “muitas jovens e bonitas garotas, altas e esbeltas, viriam da Rússia para Israel”, ele diz em outro trecho. Ao ser questionado, Barak declarou apenas ter feito “uma escolha infeliz de palavras”.
No áudio, o ex-líder israelense também pareceu menosprezar os judeus do Oriente Médio e do Norte da África. Ele disse que, no passado, Israel fez o que pôde, acolhendo judeus “do Norte da África, dos árabes, de qualquer lugar”, mas acrescentou que o país agora pode “controlar a qualidade” da população “de forma muito mais eficaz do que nossos antepassados”.
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Ao comentar suas declarações, Barak disse que “não se orgulhava daquela escolha de palavras, mas não disse isso a Putin”. Ele ainda negou que seus comentários fossem racistas, afirmando que se tratava de uma conversa sobre o desafio demográfico que Israel enfrenta devido ao crescimento da população árabe.
























