Agência Efe (20/10/12)

Membros do Exército Livre da Síria mostram suas armas e gritam frases contra Bashar al Assad em Alepo
O governo sírio anunciou nesta quinta-feira (25/10) que suspenderá suas operações militares no país a partir desta sexta-feira e até a manhã de segunda, como proposto pelas Nações Unidas. As autoridades sírias, no entanto, acrescentaram que vão reagir a possíveis ataques dos grupos da oposição durante os três dias.
A proposta de cessar-fogo temporário foi elaborada pelo Enviado Especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, que pediu uma trégua entre as forças rebeldes e do governo durante o feriado muçulmano de Eid al Adha (Festa do Sacrifício em português), umas das celebrações mais importantes da religião.
O diplomata argelino havia anunciado nesta quinta-feira (24/10) que o governo de Bashar al Assad havia concordado com a paralisação.

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De acordo com o comunicado do Comando Geral das Forças Armadas da Síria, as tropas devem suspender o cessar-fogo se os grupos opositores continuarem com suas investidas, se estas forças reforçarem suas posições militares ou adquirirem armamento ou se países vizinhos facilitarem a passagem de “terroristas” pela fronteira.
Agência Efe (21/10/12)

O Enviado Especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, se reuniu com o presidente Bashar al Assad
Logo após a divulgação da nota oficial, o comandante do Exército Livre da Síria, grupo que luta contra o governo de Assad, disse à agência Reuters que seus oficiais também se comprometem com a trégua. No entanto, o opositor exigiu que as autoridades sírias liberassem os presos políticos nessa sexta-feira (25/10) como parte do acordo.
Em entrevista coletiva no Egito, Brahimi informou nesta quinta-feira (24/10) que outras facções da oposição síria concordaram com os princípios do cessar-fogo. “Se essa modesta iniciativa for bem sucedida, uma trégua maior pode ser alcançada”, apostou o diplomata.
“Outras facções sírias que conseguimos contatar, também concordaram, em sua maioria, com os princípios do cessar-fogo”, acrescentou Brahimi. Embora não tenha fornecido à imprensa a exata duração desse cessar-fogo acordado com autoridades sírias, ele ressalta que, “se essa modesta iniciativa for bem sucedida, uma trégua maior pode ser alcançada”.
Nas últimas semanas, o enviado especial viajou para diversos países do Oriente Médio e Norte da África para negociar com autoridades locais um acordo de cessar-fogo temporário na Síria. Brahimi, que substituiu Kofi Annan no cargo, se reuniu com autoridades do governo sírio, incluindo o presidente Assad, e membros da oposição.
“Quase impossível”
O diplomata tem a difícil missão de negociar uma solução de paz para o conflito sírio, que ocorre há 19 meses. “Nós esperamos contribuir para o fim da violência durante os próximos dias e semanas”, disse ele em sua primeira roda de negociações no início de setembro.
Em uma entrevista à rede britânica BBC, o mais novo mediador do conflito descreveu sua missão como “quase impossível” e reiterou que assume o cargo sem nenhuma ilusão. “Eu sei o quanto é difícil. Não posso dizer impossível, mas é quase impossível”, afirmou o diplomata que disse já sentir o “peso da responsabilidade”.
Brahimi explicou que alcançar uma solução diplomática para o conflito é muito difícil e acrescentou que pouco está sendo feito nesta direção. “As pessoas estão dizendo ‘O povo está morrendo, o que está sendo feito?’ E não estamos fazendo muito. E isso é um peso terrível”, contou ele.
O diplomata, que já serviu na África do Sul depois do fim do apartheid e no Iraque após a intervenção dos Estados Unidos, disse sentir que está na frente de uma parede de tijolos, procurando por rachaduras que possam levar a uma solução.
Annan renunciou ao cargo de enviado especial no dia 2 de agosto por não enxergar maneiras de solucionar o conflito na Síria. “É impossível para mim ou para qualquer outra pessoa convencer o governo e a oposição a dar os passos necessários para abrir um processo político”, disse ele na ocasião.
Estima-se que pelo menos 35 mil pessoas foram mortas desde o início das revoltas populares contra Assad em março de 2011. Segundo a ONU, cerca de 1,2 milhões de sírios precisam de ajuda humanitária urgente.