Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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O governo da Argentina permitirá que o ex-chefe da Secretaria de Inteligência, Antonio “Jaime” Stiuso, seja liberado da obrigação de guardar segredo sobre suas atividades como agente, após ser convocado a depor no caso do promotor Alberto Nisman, encontrado morto em sua residência no dia 18 de fevereiro de 2015.

“Hoje vamos comunicar à promotora [Viviana Fein] que Stiuso está eximido de guardar segredo sobre tudo o que sabe ou fez desde 1972 até 5 de janeiro de 2015”, informou nesta quinta-feira (05/02) o novo chefe da Secretaria de Inteligência, Oscar Parrilli.

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Reprodução

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Uma das poucas imagens do ex-espião Stiuso, que trabalhou na inteligência argentina por mais de 40 anos

Na noite de ontem, Viviana Fein, a fiscal responsável por investigar a morte de Nisman, intimou Stiuso para testemunhar às 11h desta quinta, em Buenos Aires. Contudo, quem apareceu diante de Fein foi o advogado do agente, Santiago Blanco Bermúdez, alegando que a lei de inteligência nacional impedia que Stiuso — e qualquer espião — revele informações sobre seu trabalho no período em que foi agente, embora não fizesse mais parte da instituição.

Minutos depois de Bermúdez comparecer ao tribunal, o governo argentino tomou uma decisão sem precedentes e decidiu liberar Stiuso de seu sigilo profissional. O motivo pelo qual a fiscal havia convocado o ex-chefe de inteligência para depor aconteceu depois de comprovar que as últimas ligações que Nisman recebeu foi de um telefone que pertencia a Stiuso.

Em dezembro de 2014, Stiuso foi exonerado do cargo pelo próprio governo argentino após trabalhar no serviço por mais de 40 anos. Especula-se que, por sua experiência e poder dentro da instituição, ele possa fornecer informações relevantes sobre a morte de Nisman.

EFE

Advogado de Stiuso, Santiago Blanco Bermúdez, chega nesta tarde para depor em Buenos Aires

Apontado pela presidente como responsável de manobra de desestabilização do governo, Antonio Stiuso se converteu em um fator-chave no atual 'caso Nisman'

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Apontado por Cristina como o responsável de uma manobra de desestabilização do governo, Stiuso se converteu em um fator-chave no atual caso. Na última semana, a presidente sugeriu que a morte do promotor fazia parte de uma operação organizada pela Secretaria de Inteligência que teria como intuito prejudicar o Executivo.

Nesta semana, o secretário da Presidência, Aníbal Fernández, chamou Stiuso de “personagem sinistro”, que tentou “prejudicar o governo”. “Esta é uma manobra pensada, diagramada e sustentada por Stiuso”, criticou, segundo o jornal espanhol El Pais.

Racha entre inteligência e governo

Suicídio ou assassinato, a morte de Alberto Nisman, ainda sem explicação, relançou um debate sobre o papel dos Serviços de Inteligência na Argentina. Do ponto de vista formal, eles são diretamente dependentes da Presidência, mas, bem ou mal, sempre mantiveram certa autonomia em relação aos governos.

A tensão entre os Serviços de Inteligência e Cristina Kirchner é sensível desde 2013, quando foi tomada a decisão, muito polêmica, de aumentar os recursos e os poderes da Inteligência das Forças Armadas — enfraquecendo e diminuindo as atribuições da Inteligência civil, medida que foi vista como um sinal de desconfiança. Mais tarde, em dezembro passado, a teoria ganhou novo endosso quando o governo decidiu acabar com a hierarquia na instituição e nomear Oscar Parrilli, político próximo de Cristina, no lugar de Stiuso.

EFE

Nisman vivia no bairro Puerto Madero, em Buenos Aires, e tinha sofisticado aparato de segurança para garantir sua integridade física

Além disso, na semana passada, Kirchner anunciou em cadeia nacional que vai enviar ao Congresso um projeto de lei para reformar os serviços de inteligência do país. “A questão da inteligência é uma dívida pendente da democracia desde 1983”, afirmou a mandatária.

No dia 18 de janeiro, Nisman foi achado morto com um tiro na cabeça quatro dias após denunciar Cristina Kirchner pelo suposto acobertamento de suspeitos iranianos do atentado contra a Amia (Associação Mutual Israelita Argentina), que resultou na morte de 85, em julho 1994. A morte do promotor de 51 anos aconteceu poucas horas antes do seu comparecimento ao Congresso, onde, tinha assegurado, iria fazer revelações explosivas sobre o ataque.

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