Efe (20/01)
As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) confirmaram neste domingo (20/01) o fim do cessar-fogo unilateral, decretado há dois meses para facilitar os acordos de paz com o governo colombiano.
A decisão de não prorrogar a trégua de 60 dias já havia sido anunciada no início do mês pela organização.
O chefe da equipe de negociação da guerrilha, Iván Marques, explicou que as atividades armadas do grupo apenas serão suspensas se o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, também adotar a medida. Marques insistiu que para a continuidade do processo de paz, o governo deveria concordar com cessar-fogo bilateral.
(Principal porta-voz das FARC, Iván Marques leu comunicado da organização confirmando o fim do cessar-fogo unilateral)
“Com o coração partido, devemos admitir que o retorno das fases militares da guerra, que ninguém quer neste país”, declarou Marques durante entrevista coletiva em Havana. O diálogo entre as FARC e o governo está sendo realizado na ilha caribenha e foi retomado na última terça-feira (15/01).
“Infelizmente, o governo rechaçou a ideia de firmar um cessar-fogo bilateral que permita prolongar as condições para o melhor desenvolvimento dos diálogos de paz”, afirmou neste domingo (20/01) em entrevista à Radio França Internacional o guerrilheiro Andrés Paris.
Desde o início das conversas formais do processo de paz, no mês de outubro, em Oslo (Noruega), as FARC defendem a implementação de uma trégua de ambas as partes para o período de negociações. O presidente colombiano, no entanto, não abre mão da manutenção das operações das Forças Armadas contra as guerrilhas.
De acordo com Santos, essa possibilidade será apenas considerada em um estágio mais avançado das negociações de paz com o grupo guerrilheiro.
No início do mês, o Exército colombiano anunciou ter capturado e matado um dos líderes do ELN (Exército de Libertação Nacional), conhecido apenas como Victor. O guerrilheiro era acusado pela morte de sete soldados e quatro policiais na região de Antioquia, no noroeste do país, no período de 2007 a 2012.
Nas vésperas do anúncio do término do cessar-fogo, Santos afirmou que os oficiais colombianos estão preparados para combater a insurgência. “Nossa força pública sabe, perfeitamente, que detectamos algumas tentativas de realizar terrorismo”, disse neste sábado (19/01) o presidente.
Apesar disso, Santos reconheceu que as FARC cumpririam com a trégua proposta, salvo algumas exceções. Desde o dia 20 de novembro, data em que o cessar-fogo teve início, o governo registrou apenas 57 ações violentas dos rebeldes, o que representa uma queda de 87% em relação ao mesmo período anterior.

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Processo de paz
Após um recesso de fim de ano, a delegação das FARC e do governo colombiano retomaram na última terça-feira (15/01), no Palácio de Convenções de Havana, as negociações sobre a política de desenvolvimento agrário integral, um assunto catalogado como prioridade pelas partes por tratar-se da origem do longo e complicado conflito que tentam solucionar.
Esse tema é o primeiro da agenda pactuada para as negociações que desde o dia 19 de novembro de 2012 tem a capital de Cuba como sede permanente.
Os demais pontos a debater dentro de um prazo que, segundo o Governo colombiano, não deve estender-se por mais de um ano, são a entrega das armas por parte do grupo guerrilheiro, a entrada dos rebeldes desmobilizados na vida política, o narcotráfico e a reparação às vítimas do conflito.
Nesta nova rodada de diálogo, as partes já têm sobre a mesa as 546 propostas extraídas do fórum agrário que aconteceu em Bogotá em dezembro passado com a participação da sociedade civil colombiana.