As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) anunciaram nesta sexta-feira (23/08), em Havana, que pretendem fazer uma pausa momentânea nas negociações de paz com o governo. O objetivo é discutir o alcance da proposta anunciada ontem (22) por Juan Manuel Santos. O presidente colombiano propõe que um eventual acordo entre as partes seja colocado em referendo, concomitantemente com as eleições regionais previstas para março e maio de 2014.
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A informação foi comunicada por Jorge Torres Victoria, conhecido como “Pablo Catatumbo”, um dos líderes das negociações do grupo com o governo colombiano. “A delegação de paz das FARC decidiu fazer uma pausa nas discussões da mesa para centrar-se exclusivamente na análise dos alcances da proposta governamental, em detrimento da consulta interna que deve ser feita dentro da organização”, afirmou.
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Para a guerrilha, esse projeto “pretende unificar a data das eleições de março [primeiro turno] com a realização de um referendo no qual se dará ao primeiro mandatário [o presidente] faculdades extraordinárias que lhe permitirão manejar os assuntos relacionados à paz através de decretos”. Catatumbo também criticou que o anúncio do referendo foi feito sem que o governo explicasse os procedimentos de construção democrática do que será referendado.
Agência Efe
Catatumbo, ao lado dos guerrilheiros Rodrigo Granda e Iván Marquez (dir.), anuncia pausa nas negociações
As FARC preferem que o caminho para a participação popular na construção de um acordo de paz seja a convocação da Assembleia Nacional Constituinte para que o povo seja “soberano sobre temas cruciais da realidade política, econômica e social de todos os colombianos. (…) A Constituinte, convocada no marco de um grande acordo político nacional, seria o caminho para alcançar um verdadeiro tratado de paz, justo e vinculante, que consolide nossa reconciliação, comande o destino da nação e a coloque na vanguarda da democracia real”. A posição da guerrilha a favor da Assembleia Constituinte já havia sido divulgada em junho.
Catatumbo também ressaltou que a guerrilha aproveitou o tempo corrido das negociações para escutar as opiniões do povo “em meio ao fervor da luta política e social que hoje estremece a Colômbia”. As FARC negociam com o governo o fim do conflito em Havana desde novembro de 2012.