Depois de terem declarado, no último sábado (08/06), que as negociações de paz estão “no limbo” por culpa de Juan Manuel Santos, as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) inauguraram nesta terça-feira (11/06), em Havana, o debate sobre sua participação política com a proposta de adiar em um ano as eleições colombianas e convocar uma Assembleia Constituinte. O governo de Santos, entretanto, recusou categoricamente essa abordagem.
A proposta das FARC é que o governo adie em um ano, e sem reeleição presidencial, o pleito previsto para 2014, tendo por objetivo “antepor o interesse coletivo da paz a qualquer outra circunstância que rarefaça o fim que nos convocou em Havana”.
A convocação de uma Assembleia Constituinte seria necessária “para encontrar uma verdadeira solução ao conflito com a decisiva participação do povo”, segundo uma declaração lida perante a imprensa por Ivan Márquez, número 2 da guerrilha e chefe da equipe negociadora.
As FARC temem que o processo eleitoral “maltrate, murche ou aniquile para sempre as esperanças de reconciliação”, por conta dos prazos que o governo coloca para culminar as conversas de paz, no final deste ano.
A equipe negociadora do governo rejeitou rapidamente um adiamento eleitoral e pediu à guerrilha que se concentre na agenda estabelecida para os diálogos. “Não devemos nos distrair com propostas que pouco contribuem à clareza como ocorre com o suposto prolongamento do período das eleições e com uma Constituinte”, declarou Humberto de la Calle, líder da delegação governamental.
Agência Efe
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Ivan Márquez, representante das FARC nas negociações, lendo declaração para a imprensa
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De la Calle também afirmou que a transformação de grupos rebeldes em um movimento político legal é um “elemento comum” em processos de paz de diversos países.
Já o vice-presidente da Colômbia, Angelino Garzón, declarou que é melhor que as FARC façam política do que disparem balas. “É melhor ter guerrilheiro falando que disparando. Guerrilheiros pensando 24 horas em fazer maldades é muito negativo para a democracia colombiana”, afirmou.
Ele disse ainda que é possível que ‘inimigos da paz” tentem sabotar as negociações, ao aumentar os assassinatos e as ameaças no país.
Sobre a proposta dos rebeldes, ele pontuou que “o governo tem que escutar as FARC e vice-versa para, ao final, construir um acordo”, mas ressaltou que a guerrilha “não pode pedir o impossível ao governo”.
A conversa de hoje representou a volta do governo e das FARC à mesa de negociações instalada em Cuba após o estabelecimento de um acordo sobre a questão agrária no último dia 26.