Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
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O cenário das eleições bolivianas deste domingo (6), aponta para uma vitória certa do atual presidente Evo Morales, primeiro indígena a chegar à Presidência da Bolívia, em 2005. Na mais recente pesquisa, divulgada na última quarta-feira (2), Evo aparecia com 52,6% das intenções de voto e uma vantagem de mais de 30 pontos sobre seu principal adversário, o opositor Manfred Reyes Villa (21,1%).

Na quinta-feira (3), a campanha do MAS (Movimento ao Socialismo), partido do presidente, foi concluída em todo o país. E além de pedir mais cinco anos de governo à chapa formada por Evo e o vice Álvaro García Linera (abaixo, em La Paz), os candidatos deixaram claro em seus discursos que a campanha para 2010 chegou.

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Fotos: Aizar Raldes/AFP (03/12/2009)

“Agora é hora de nos prepararmos para a campanha para as prefeituras e governos”, disse o líder departamental do MAS, Feliciano Vegamonte.

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A frase – repetida por Evo e seus partidários nos mais diversos rincões do país – mostra que ao lado da euforia pela vantagem do presidente, está a certeza de que o próximo ano será fundamental para consolidar o projeto de governo do MAS.

“Em Cochabamba ganharemos com pelo menos 75%, vamos eleger pelo menos 17 senadores. E assim conquistaremos dois terços no Senado e da Câmara dos Deputados também”, vibrou Julio Salazar, presidente das Seis Federações Cocaleiras do Trópico de Cochabamba e candidato ao Senado pelo MAS.

O partido espera ter maioria nas duas câmaras para pode reescrever as leis do país, que agora terão de ser compatíveis com a nova Constituição, aprovada em janeiro de 2009. As novas regras vão desde o funcionamento do executivo até a regulamentação da eleição para magistrados.

Mudanças

Em conversa com Opera Mundi, Julio Salazar defendeu que o partido está saindo vitorioso, porque durante o governo ganhou o coração de setores mais amplos da sociedade. “Antes o instrumento político era impulsionado pelos cocaleiros e por alguns outros setores, mas agora temos mineiros, comerciantes e intelectuais de classe média”, afirmou.

Além disso, a boa performance da Bolívia em um ano de crise econômica – o país deve ter o maior crescimento da América Latina, 3%, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional) – teria demonstrado a capacidade administrativa do governo. “Há mais investimentos públicos, obras, isso gera mais trabalho e assim vamos ganhando o apoio das pessoas da cidade, que antes tinham preconceito com o MAS, e nos unindo ideologicamente”.



Mineiros participam da conclusão da campanha do MAS em La Paz



No entanto, para o advogado José Gutiérrez, uma das lideranças do Comitê de Água de Cochabamba e ex-dirigente da Central Trabalhadora Boliviana, o bom desempenho na campanha é apenas mais um passo no processo de mudanças, que está longe de terminar.

“O ano que vem será difícil, porque agora é preciso materializar o que está escrito na Constituição. Temos que consolidar mecanismos que dêem mais acesso às estruturas do estado, controle público nas empresas estatais. Só assim as políticas de bem-estar vão ser mais concretas e menos paternalistas”.

Cabe aos movimentos sociais pressionar para essas mudanças. “Temos que ser muito cuidadosos nas demandas para que não se coopte a energia dos movimentos sociais e independência. Temos que manter a capacidade de exercer autoridade reflexiva sobre o que representa o comportamento dos seus lideres”, analisou.

Mesmo assim, para ele, algumas mudanças já alcançadas são irreversíveis – especialmente no papel das populações que até então foram sempre excluídas do processo político. O recorde de participação nessas eleições, onde mais de cinco milhões de eleitores devem votar, seria um claro sinal.

Vídeo documenta as mudanças sociais na Bolívia

“Evo é parte do processo, mas o processo não é só Evo. Nesse momento, ele joga um papel importante no que envolve possibilitar o reconhecimento da condição e da qualidade das pessoas como agentes políticos.”

Mais que isso, a liderança pessoal do presidente tem levado a uma inversão de valores sociais que, para ele, é irreversível. “A história dificilmente vai poder voltar atrás. O racismo que vivíamos antes não voltam mais, nem a atitude de bater na costas, atitude paternalista com relação aos indígenas. Hoje essa elite se incomoda quando esses indígenas, com seu cheiro, sua forma de ser, suas roupas, se sentam ao lado dele e começam a falar de igual pra igual. Mas é assim que vai ser daqui pra frente”, conclui.

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