Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou nesta quinta-feira (28/05) os Estados Unidos de estender sua jurisdição a outros países a fim de cumprir interesses próprios na operação que levou à detenção de executivos da Fifa, incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin, realizada de forma surpreendente na quarta-feira (27/05).

EFE

“Infelizmente, nossos parceiros norte-americanos usam tais métodos para alcançar seus objetivos egoístas”, alfinetou Putin

Para o chefe do Kremlin, a operação liderada pelos norte-americanos é uma tentativa de impedir a reeleição de Joseph Blatter como presidente da entidade e a realização da Copa do Mundo na Rússia em 2018. “Não me restam dúvidas de que isto é uma grosseira violação dos princípios de funcionamento das organizações internacionais”, criticou.

“Talvez algum deles tenha violado alguma lei, não sei, mas o que é certo é que os Estados Unidos não têm qualquer relação com isto. Estes funcionários não são cidadãos norte-americanos. E se ocorreu algo, não foi em território dos EUA”, declarou hoje o líder russo.

Ao se questionar a respeito do direito dos EUA de pedir extradição dos dirigentes, Putin recordou os casos de perseguições consideradas “ilegais” ao presidente russo, conduzidas por Washington.

Chefe de Estado da Rússia diz que operação norte-americana viola ao estender jurisdição e ainda apoiou reeleição de presidente da entidade, Joseph Blatter

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Ele cita Edward Snowden — ex-agente da NSA (Agência Nacional de Segurança norte-americana), que revelou a espionagem em massa dos serviços secretos de sua nação e que obteve asilo na Rússia em 2013 — e também o caso do australiano Julian Assange, fundador do Wikileaks que é perseguido por vazar milhares de documentos secretos militares dos EUA e que está asilado na Embaixada do Equador em Londres há três anos.

A justificativa de Washington para a ação é que a lei norte-americana dá ao Departamento de Justiça autoridade para investigar estrangeiros que vivem no exterior caso estes tenham alguma ligação com o país. Esta conexão pode ser identificada a partir do uso de serviços de bancos ou até de provedores de internet norte-americanos.

No caso da investigação da cúpula da Fifa, as autoridades do país entenderam que foram cometidos e preparados três crimes nos Estados Unidos, com pagamentos realizados por meio de bancos americanos.

Apoio à reeleição de Blatter

Amanhã (29/05), a Fifa realizará as eleições para um novo presidente do órgão. O atual líder, Joseph Blatter, não está entre os acusados, mas ainda está sendo investigado por procuradores norte-americanos. Ele concorre ao seu quinto mandato consecutivo e tem, como único adversário no pleito, o príncipe da Jordânia, Ali Bin Al Hussein.

“Na minha opinião, na sexta-feira devem acontecer as eleições para a presidência da Fifa e o senhor Blatter tem todas as possibilidades de ser eleito. Também sabemos que ele sofreu muita pressão para proibir a realização do Mundial de Futebol de 2018 na Rússia”, disse o chefe do Kremlin.

Fotos:EFE

Blatter (esq.) e Ali bin Al-Hussein, príncipe da Jordânia: os dois disputam eleição para presidência da Fifa

Junto a Putin, o diretor da União de Futebol da Rússia, Nikolai Tolstykh, insistiu que seu país apoiará Blatter nas eleições à direção da entidade, “um presidente que fez muito pelo mundo do futebol”, garantiu.

Entenda o caso

Ontem, altos funcionários da Fifa foram presos pela polícia suíça sob acusação de corrupção a mando dos Estados Unidos. Eles estavam hospedados em um hotel de luxo em Zurique para participar de um encontro da associação na cidade.

Além das detenções, autoridades suíças também anunciaram a existência de uma investigação criminal na escolha das sedes das próximas duas Copas do Mundo: a prevista para 2018 na Rússia e para 2022, no Catar.