Os protestos contra o governo da Nigéria pela recente medida que corta os subsídios à gasolina contaram com a liderança de um homem acostumado com manifestações desde criança. Seun Kuti, filho de Fela Kuti – célebre músico que frequentemente protagonizou protestos em seu país -, se juntou à população para condenar o aumento dos preços.
Vestido com uma camiseta e uma calça jeans, Seun é o principal líder dos movimentos que eclodiram nesta semana no país e levaram centenas de pessoas às ruas. Acostumado aos discursos, o jovem levanta a voz e conquista a atenção de toda a multidão para protestar contra o presidente Goodluck Jonathan.
Wikicommons

Fela Kuti (esq.) influenciou o filho que hoje protesta contra o governo
“Nossos avós tiveram suas chances. Nossos pais tiveram suas chances. Se não nos posicionarmos contra a corrupção na Nigéria agora, nós também teremos perdido a chance”, afirmou Seun, levando os presentes no protesto ao delírio, conforme relatou reportagem do jornal inglês The Guardian.
O governo afirmou na última segunda-feira (09/01) que respeita os protestos, mas insistiu que o fim do subsídio é necessário e faz parte de um pacote de medidas de ajuste econômico.
As declarações do presidente, no entanto, não diminuíram a ira dos manifestantes, que mantiveram os protestos nesta semana. Ainda na segunda-feira, o governo declarou toque de recolher em meio aos protestos que deixaram pelo menos dois mortos e 30 feridos na cidade de Kano.
“O povo subsidia eletricidade do governo ao comprar geradores. Subsidia água ao cavar poços em nas próprias casas. O subsídio ao combustível é nosso único benefício e não pode ser retirado”, disse Seun.
Os dois principais sindicatos do país organizaram uma greve que foi iniciada também na segunda. Segundo o TUC (Congresso de Sindicatos) e o NLC (Congresso do Trabalho da Nigéria), a greve está tendo êxito.
Ativista
Fela Kuti foi um músico nigeriano, pioneiro do gênero que chamou de “afrobeat” e ativista político e dos direitos humanos no país. Sua luta foi intensificada ao final da década de 1960, quando formou a República Kalakuta, uma comunidade que declarava independência do governo nigeriano, ao qual se opunha.
Em 1977, por conta da repressão do governo, a república foi destruído e Fela chegou a ser agredido por forças de segurança. Nos anos seguintes, ele continuou com sua oposição ao regime nigeriano e usou a música para atingir públicos maiores, até mesmo em outros países. O ativista morreu em agosto de 1997 por complicações causadas pela AIDS.
Confira abaixo duas das músicas de Fela:

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