Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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No final da tarde do dia 21 de agosto, dezenas de sírios faziam uma fila em frente a uma das padarias remanescentes em Aleppo para levar pão a suas famílias. Por conta do conflito entre as forças de Bashar al Assad e da oposição, a cidade vive um momento de escassez de farinha e os moradores são obrigados a enfrentar longas horas de espera para adquirir o alimento. 

Fais, um alfaiate de 44 anos, chegou ao local no bairro de Bab al Hadid durante a tarde junto de familiares e, às 18 horas, quando estava perto da porta, uma bomba explodiu. Ele cobriu a cabeça com as mãos e saiu correndo para uma loja vizinha, quando percebeu que estava ferido no braço esquerdo.

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Segundo a organização, 23 pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas devido a uma bomba em 21 de agosto

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As ruas estavam cobertas por uma fumaça preta, estilhaços de vidro e corpos de pessoas feridas ou mortas. Um homem sem uma perna, outro sem o braço e um garoto de 16 anos sem a cabeça estavam estendidos no chão. Seu primo foi morto e sua irmã está no hospital com ferimentos graves. 

Este foi o relato de Fais à HRW (Human Rights Watch), que divulgou nesta quinta-feira (30/08) um vídeo e um comunicado denunciando as forças do governo sírio por lançarem bombas e abrirem fogo contra civis que permanecem nas filas em busca de pão. A organização de direitos humanos escutou testemunhas e obteve filmes dos ataques em Aleppo.

Segundo as informações obtidas, pelo menos dez padarias foram atingidas nas últimas três semanas, deixando dezenas de civis mortos ou feridos. No bombardeio de 21 de agosto, descrito por Fais, pelo menos 23 pessoas foram mortas e mais de 30 ficaram feridas. Em outro caso citado pela HRW, mais de 60 civis morreram e 70 ficaram feridos.

Os ataques ocorreram nos estabelecimentos ou em edifícios vizinhos a bairros onde nenhum tipo de confronto estava acontecendo e sem aviso prévio do governo, informou em comunicado a HRW. De acordo com algumas testemunhas ouvidas pelos ativistas, poucos militantes do Exército Livre da Síria estavam no local a fim de organizar e ajudar na distribuição do pão. 

“Dez ataques em padarias não é aleatório. Eles (o governo sírio) mostram não ter nenhum cuidado com os civis e indicam tentativas de atingi-los”, conclui Oleg Solvang, pesquisador da organização. Para ele, mesmo que as forças do governo não estivessem mirando as filas de moradores, os ataques nessas circunstâncias mostram que as autoridades sírias não estão se importando com os civis.

A HRW considera que os ataques configuram crimes de guerra. Mas não é a primeira vez que o governo de Assad é acusado de cometer abusos contra a sociedade civil do país. 

Grupos da oposição e veículos internacionais acusaram neste domingo (26/08) o governo sírio de perpetrar um massacre contra centenas de civis em Daraya, cidade próxima à capital do país que foi recentemente recapturada pelas forças do regime.  

Segundo um relatório das Nações Unidas divulgado em 15 de agosto, forças e milícias do governo e tropas da oposição cometeram crimes de guerra durante os 17 meses de confronto. O documento aponta, no entanto, que as violações cometidas pelas forças insurgentes, apesar de sérias, “não tiveram a mesma gravidade, frequência e escala” das promovidas pelo exército sírio.

De acordo com suas investigações, a milícia Shabbiha, aliada de Assad, e tropas do governo foram identificadas como as responsáveis por muitos dos crimes cometidos durante o massacre de Houla, em maio, que causou a morte de pelo menos 108 pessoas, a maioria crianças.

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