Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Uma quebra de acordo provocada por parlamentares conservadores provocou uma nova crise na turbulenta aliança que sustenta o governo do premiê britânico David Cameron.
 
Nesta segunda-feira (08/06), após fazer uma série de críticas aos seus aliados, o vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, líder do Partido Liberal Democrata, afirmou que sua legenda não apoiará o projeto conservador de reforma geográfica para alterar as circunscrições eleitorais antes das eleições de 2015. No Reino Unido, cada representante da Casa dos Comuns (órgão equivalente à Câmara dos Deputados), é eleito por uma circunscrição.

Wikimedia Commons

O premiê David Cameron (à esquerda) e o vice Nick Clegg: coalizão em risco
 
A medida é uma represália pelo fato de Cameron não ter obtido apoio suficiente dentro de seu próprio partido para conseguir aprovar um projeto de reforma na Câmara dos Lordes, questão considerada crucial por seus aliados.
 
No entanto, segundo o dirigente, a aliança que forma o governo será mantida. “Devemos restaurar o balanço do acordo de nossa coalizão colocando um fim nesses últimos eventos e continuar nosso programa de governo. Vamos seguir com este grande trabalho e continuar ancorando este governo ao centro”, disse. “Meus colegas de partido e eu continuamos a focados na tarefa urgente que tornou essa coalizão possível: resgatar, reparar e reequilibrar nossa economia”.
 
Além de vice-primeiro-ministro, Clegg é também o ministro responsável por coordenar as reformas política e constitucional, questão considerada crucial para o seu partido e condição-chave para que a aliança fosse formada.
 
O projeto proposto e defendido pelo partido de Clegg desde a eleição geral de 2010 previa a redução do número de membros da Câmara dos Lordes, a casa alta do Parlamento britânico, dos 775 postos atuais para 450. E também previa que 80% dos políticos fossem eleitos através das urnas por um período de 15 anos.
 
No entanto, a reforma não foi bem recebida pela ala conservadora, que acha que a mudança provocará uma “crise institucional”. Em 10 de julho, o governo britânico decidiu retirar a proposta de pauta antes de sofrer uma evidente derrota parlamentar. Desde então, o projeto estava no limbo. De acordo com o jornal britânico Daily Telegraph, havia ao menos 90 parlamentares conservadores que estavam convictos em vetar a reforma. 
 
“O Partido Conservador não está cumprindo o compromisso da reforma da Câmara dos Lordes. Como resultado desta ação, parte de nosso acordo foi quebrado”, protestou Clegg. “Meu partido fez valer esta aliança mesmo quando isso significou votar por coisas que consideramos difíceis”.
 
“Está claro que não posso permitir uma situação na qual os rebeldes conservadores possam escolher as partes do acordo que eles se interessam, enquanto os deputados liberais democratas são obrigados a assumir os compromissos em sua totalidade”, protestou o vice-primeiro-ministro.
 
Troco
 
A resposta dada pelos Liberal-Democratas foi um duro golpe eleitoral para o partido de David Cameron, que não terá apoio suficiente para aprovar o projeto que igualava o tamanho das circunscrições eleitorais. Segundo pesquisas, essa mudança melhoraria em muito a situação dos “tories” para tentar deter o avanço dos Trabalhistas, nas próximas eleições gerais.
 
Em caso de aprovação, eles esperavam ganhar 20 vagas de seus históricos rivais. A votação final da proposta seria realizada no próximo ano. No entanto, sem o apoio da base aliada, os conservadores terão de retirá-lo da pauta.
 

"Rebelião" dos liberal-democratas é em resposta a sucessivas quebras de acordo pelos conservadores

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“A coalizão funciona sobre respeito mútuo, é um acordo recíproco, de duas vias. Portanto disse ao primeiro-ministro que, quando for o momento, pedirei a meu partido que vote no Parlamento contra as mudanças nos circunscrições”, disse.

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A resposta dos conservadores a Clegg foi feita pela ministra da Cultura, Jeremy Hunt. Para ela, a decisão dos aliados foi “profundamente decepcionante”, mas não afetará a união partidária. Cameron está, no momento, 100% dedicado aos Jogos Olímpicos de Londres.
 
Histórico
 
Durante a campanha eleitoral de 2010, o Partido Liberal-Democrata se apresentou como uma alternativa real de governo, e tinha Clegg, que sempre afirmou ter mais pontos de convergência com a oposição Trabalhista, como um líder jovem capaz de trazer mudanças. Mas ele optou por se unir aos Conservadores, em uma aliança que enfrenta turbulências desde o início do governo Cameron, em maio daquele ano.
 
A mais recente delas ocorreu no início do ano, quando Cameron optou por não assinar o pacto fiscal europeu, que previa uma maior regulação nos bancos. Clegg, entusiasta da União Europeia, era favorável ao acordo, mas seu partido não ofereceu maior resistência à posição de Cameron.
 
Para Clegg, a decisão de Cameron serviu apenas para isolar o Reino Unido. “Deixei claro que o isolamento na Europa, onde fomos um contra 26, é potencialmente ruim para os empregos, o crescimento e a vida de milhões de pessoas deste país”, disse Clegg na ocasião.
 
O apoio aos cortes nos setores de saúde e educação também geraram muitas críticas ao partido. O preço foi pago nas eleições regionais de 2011, onde a legenda perdeu representantes em todas as subdivisões da ilha. Alguns dirigentes dos “Lib-Dems” chegaram a pedir a renúncia de Clegg no comando do partido.
 
Sem os 57 Liberal-Democratas na Câmara dos Comuns, que é a casa parlamentar que, de fato vota os projetos mais importantes e define os rumos do país, os Conservadores somam apenas 306 membros, insuficientes para a maioria absoluta, de 326 cadeiras. Caso os Liberal-Democratas rompam com o governo, as eleições poderão ser antecipadas.