Iñaki Urdangarin, genro do rei Juan Carlos I da Espanha, foi acusado nesta quinta-feira (29/12) de envolvimento em um caso de corrupção por supostas irregularidades na apropriação de recursos públicos e privados por meio do Instituto Noos, uma fundação sem fins lucrativos que criou e presidiu entre 2004 e 2007. Urdangarin, duque de Palma e de 43 anos, é o marido da infanta Cristina, a filha mais nova do monarca espanhol, casal que atualmente mora com os quatro filhos em Washington, nos Estados Unidos.
O magistrado espanhol José Castro, instrutor do caso Palma Arena, marcou para 6 de fevereiro a audiência de Urdangarin. Com isso, ele se torna o primeiro membro da Família Real sob investigação da justiça. Esta decisão após as diligências e levantado o sigilo sumário, e depois que a Promotoria Anticorrupção das Baleares apontasse um “entrecruzamento societário” tecido supostamente por Urdangarin e seu sócio Diego Torres para apoderar-se do dinheiro público e privado recebido por meio do Noos.
O Tribunal Superior de Justiça das Baleares (TSJIB) confirmou a citação de Urdangarin para depor diante da justiça em 6 de fevereiro. Entre os temas que deverá ser questionado estão os negócios realizados com as regiões espanholas de Baleares e Comunidade Valenciana, pelos quais “teria recebido recursos públicos”, segundo os autos. Ele deverá ser perguntado ainda sobre a execução do estipulado com ambos os governos regionais, a prestação de contas feita, assim como pelas pessoas que tenham participado dos fatos ou se beneficiado dos mesmos, o destino dos recursos públicos e seu tratamento fiscal, detalha o juiz.
Urdangarin deverá comparecer pessoalmente ao Juizado de Instrução número 3 de Palma de Mallorca para declarar sobre suas atividades no Instituto Noos ao ter sido citado como acusado, já que a lei só prevê a possibilidade de apresentar atestado para as testemunhas.
O advogado Mario Pascual Vives, que atua como porta-voz de Urdangarin, disse que seu cliente é “absolutamente inocente” e que agora, uma vez acusado, terá a oportunidade de “começar a defender” sua honra. Ele afirmou que pelas informações que foram aparecendo nas últimas semanas parecia que havia um “clamor popular” para fosse acusado.
Polêmica
O caso sobre o Instituto Noos, que a Polícia chamou operação Babel e cuja gestão foi investigada pela própria Casa Real, começou depois da publicação das suas atividades no sumário do caso Palma Arena. Esta investigação está instruída há anos pelo juiz Castro em torno de inúmeros casos de suposta corrupção detectados durante o Governo das Baleares do ex-presidente Jaume Matas.
O juiz Castro também convocou para depor em 5 de janeiro como acusado o sócio de Urdangarin, Diego Torres, assim como outros nomes do Instituto Noos.
Os partidos políticos espanhóis, principalmente o governante Partido Popular (PP) e o Partido Socialista (PSOE), expressaram nesta quinta-feira o máximo respeito às decisões judiciais. Em 12 de dezembro, a Casa Real espanhola, que nesta quinta-feira voltou a expressar seu respeito absoluto às atuações judiciais, adotou a decisão sem precedentes desde a entronização do rei Juan Carlos em 1975 de separar dos atos oficiais Urdangarin por sua conduta “não exemplar”.
A Casa Real também decidiu tornar mais transparente suas contas e, precisamente, na última quarta-feira, os dados foram divulgados.
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