José Cruz/ABr

Um golpe que atinge a toda a região. É assim que o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arvelaiz resume o sumário processo de impeachment que, em menos de 30 horas, culminou com a deposição de Fernando Lugo da Presidência do Paraguai. O diplomata integrou a missão de chanceleres da Unasul (União das Nações Sul-americanas) que foi a Assunção para tentar mediar uma solução política para crise no país e diz que o desfecho foi o golpe também contra o processo de integração no continente.
“É insólito que o Paraguai, país que tem a presidência pro-tempore da Unasul, tenha acabado de viver um golpe de Estado”, disse Arvelaiz, em entrevista exclusiva ao Opera mundi. “Como vários chanceleres disseram ontem, foi tão difícil para toda a região conseguir a democracia e este processo de integração, com a Unasul. E aqueles que acabam de fazer o golpe de Estado de modo sistemático atuam de modo oposto a todo este processo regional”, completa.
Na próxima semana, os chanceleres da Unasul devem se reunir em local ainda não definido para discutir o posicionamento do bloco em relação ao novo governo paraguaio, assumido pelo até ontem vice-presidente Federico Franco. Arvelaiz confirma que a posição da Venezuela será o não-reconhecimento de Franco, o que deve levar ao rompimento de acordos de cooperação.

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Opera Mundi – Quais são os impactos previstos da destituição do presidente Fernando Lugo para a região?
Maxmilien Arvelaiz – Para retomar o que foi a avaliação geral da declaração oficial da Unasul e declarações de alguns presidentes e chanceleres, sem dúvidas houve um golpe de estado, depois de toda uma sucessão de eventos que o facilitaram. Nós acompanhamos muito de perto, lembra muito o que aconteceu em Honduras. Também disseram que a saída do [ex-presidente] Manuel Zelaya era constitucional. Então houve a resposta imediata da Unasul, após o chamado de Dilma Rousseff no Rio, onde também estava o secretário geral, Ali Rodríguez.
A resposta imediata foi poder chegar aqui, com a intenção de garantir o respeito aos direitos de defesa, porque ninguém pode acreditar que em menos de 48 horas a defesa possa defender o acusado, seja presidente ou não. Entendemos muito bem que há uma diferença entre o que possa ser a legalidade e a ilegitimidade deste processo. Acreditamos que não é uma casualidade que estejam fazendo isso agora. Como bem disse o presidente [Lugo], é uma tentativa de golpear a Unasul e vamos ficar muito alertas nos próximos dias para ver muito bem como o assunto vai se desenvolver.
OM – Por que golpeia a Unasul?
M.A. – Unasul em toda sua diversidade de governos de várias colorações políticas e ideológicas, na qual o Paraguai participava, tinha conseguido uma configuração muito interessante que começa a funcionar, como mostra o próprio consenso para mandar a comissão para cá. E é insólito que o Paraguai, país que tem a presidência pro-tempore da Unasul, tenha acabado de viver um golpe de Estado. Como vários chanceleres disseram ontem, foi tão difícil para toda a região conseguir a democracia e este processo de integração, com a Unasul. E aqueles que acabam de fazer o golpe de Estado de modo sistemático atuam de modo oposto a todo este processo regional. E os danos que isso traz para o povo paraguaio, também são uma vontade de golpear toda a região.
OM – E quais são as perspectivas para as relações bilaterais entre o Paraguai a Venezuela nos próximos meses, até as próximas eleições?
M.A. – Nas próximas horas, devem ser tomadas decisões a respeito. Como o presidente [Hugo] Chávez disse ontem, nós não reconhecemos o presidente que assumiu ontem. Em nível bilateral não haverá nenhuma relação ou contato com o Paraguai. E o fato de que, assim como a Bolívia e o Equador, não reconheçamos este governo, terá conseqüências imediatas na cooperação que existia. O Paraguai está violando a cláusula democrática da Unasul e isso traz conseqüências.