No dia em que se encerra o prazo para que a Síria cumpra o plano de paz proposto pelo enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, o governo do país afirmou que já retirou suas tropas de algumas cidades. A oposição, no entanto, nega as informações e classifica como “mentirosas” as declarações do governo do presidente Bashar al Assad.
O plano proposto por Annan estipula o fim da violência por todos os envolvidos nos conflitos, além da retirada das forças armadas das cidades e o restabelecimento da autoridade do Estado em todo o território sírio.
Tanto o governo sírio quanto a oposição tem até esta terça-feira (10/04) para retirar suas tropas das cidades e devem acabar com os confrontos entre si até a próxima quinta-feira (12).
Nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al Moualem, afirmou que o governo já havia retirado ou ao menos recuado suas tropas em algumas cidades do país. “Já retiramos certas unidades militares de algumas províncias sírias”, afirmou, durante encontro com o chanceler russo, Sergei Lavrov.
Já o ELS (Exército Livre Sírio), um dos principais grupos de oposição ao governo de Assad, negou que as tropas de Damasco estejam recuando. “O Exército nem recuou nem vai recuar suas tropas. Conhecemos suas mentiras à comunidade internacional e [eles] continuam com seus massacres, detenções e ataques a cidades”, declarou o número dois da organização, Malek Kurdi, em entrevista à Agência Efe.
Segundo Kurdi, os ataques das tropas do governo continuaram em algumas regiões do país e teriam causado as mortes de pelo menos 23 pessoas nesta terça, incluindo mulheres e crianças.
“As tropas de Bashar al Assad estão tentando invadir bairros de alguns povoados distantes e entraram em lugares onde há ativistas. O ELS só se defende e nunca desenvolveu uma operação que não fosse para defender o povo dos ‘shabiha’ (atiradores) que assassinam cidadãos”, declarou.
Apesar disso, Moualem afirmou que o governo de Assad presenciou um constante aumento “da atividade de grupos armados” pelo país. Após a acusação síria, o chanceler russo ressaltou que o acordo de paz proposto por Annan deve ser respeitado também por toda a oposição síria. Algo que, segundo ele, não está acontecendo.
Para isso, o ministro russo sugeriu um envio imediato de uma missão de observadores da ONU ao país para garantir que o acordo seja cumprido pelas duas partes envolvidas nos conflitos, que já duram mais de um ano.
“É um momento crucial, não só para a Síria, mas para toda a região”, afirmou Lavrov. O ministro disse ainda que a Rússia poderia participar da missão de observação. Para Moualem “o cessar-fogo deve ocorrer simultaneamente com a chegada dos observadores internacionais”.
Apesar disso, o ministro sírio ressaltou que o país quer ter certeza da imparcialidade dos novos observadores, em uma possível alusão ao grupo de agentes já enviados ao país pela Liga Árabe em busca de uma solução para o conflito.
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