Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
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Uma gravação de áudio divulgada recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revela uma conversa entre o financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein e o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak discutindo as somas “gigantescas” pagas ao ex-premiê britânico Tony Blair por seu trabalho de consultoria e questionando os “arranjos financeiros” do ex-premiê, especulando que parte do dinheiro poderia estar sendo desviada.

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Epstein, com quem Blair admitiu ter se encontrado uma vez em Downing Street durante seu período como primeiro-ministro, fala favoravelmente sobre as quantias significativas pagas ao ex-líder do Reino Unido por seu trabalho, mas especula que parte do dinheiro não ia para Blair, sendo desviada para ‘outras partes’.

O áudio não fornece detalhes específicos sobre as outras partes envolvidas. O Departamento de Justiça dos EUA não confirmou quando a conversa gravada ocorreu. Reportagens da mídia sugerem que ela aconteceu no início de 2013.

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Na gravação, Barak expõe o caráter mercenário da operação ao perguntar a Epstein “como ganhamos dinheiro com um contrato com um governo ou governos”.

Ele menciona “algo que ouvi de você… que Tony Blair, por exemplo, provavelmente recebe US$ 11 milhões por ano do governo do Cazaquistão apenas para dar conselhos e ajudá-los com o lobby em alguma ONG ou organização da ONU“.

“Não sei o que Tony está fazendo para ganhar dinheiro. E não sei se o dinheiro que Tony está recebendo é realmente para ele ou para outra pessoa”, diz Epstein. E continua: “Ouço falar de números gigantescos atribuídos a Tony – 5 milhões de dólares aqui, 10 milhões de dólares ali. Tony não ganha 30 milhões de dólares por ano.”

Barak respondeu: “Sim, mas ele se tornou bastante… Posso deduzir pelo estilo dos seus relógios que ele está…”. A conversa, repleta de insinuações, continua com Epstein: “Sim, mas ele ganha 10 milhões de dólares por ano”.

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Barak então responde: “Provavelmente ele [fica com] o dinheiro e deixa uma parte para os outros, provavelmente alguns dos fornecedores.”

Tony Blair, uma figura controversa que liderou o Reino Unido de 1997 a 2007 e foi um dos arquitetos da catastrófica guerra do Iraque, prestou serviços de consultoria a clientes, incluindo governos, por meio de sua empresa, a Tony Blair Associates, após deixar o cargo. Atualmente está incluído por Donald Trump no ‘Conselho de Paz’ para Gaza.

Segundo informações, ele encerrou as atividades da empresa em 2016 para fundar o Instituto Tony Blair para a Mudança Global, que se descreve como uma “organização sem fins lucrativos e apartidária que ajuda governos e líderes a transformar ideias ousadas em realidade”.

O jornal britânico The Guardian noticiou que a Tony Blair Associates assinou um contrato para prestar consultoria ao governo do Cazaquistão em 2011, meses depois da controversa reeleição do ex-presidente autocrático Nursultan Nazarbayev com uma vitória esmagadora e semanas antes de as forças de segurança do mesmo governo matarem 14 pessoas durante um levante antigovernamental.