Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Nove partidos de esquerda no Nepal decidiram se unir para formar um novo Partido Comunista Nepalês (NCP) em Katmandu na terça-feira (04/11). O novo partido reaviva a esperança na presença eleitoral da esquerda nas próximas eleições nacionais, em março.

Os partidos que anunciaram formalmente a fusão incluem o Partido Comunista do Nepal (Centro Maoísta), liderado pelo ex-primeiro-ministro Pushpa Kamal Dahal “Prachanda”; o Partido Comunista do Nepal (Socialista Unificado) liderado por Madhav Kumar Nepal; CPN; Partido Socialista do Nepal; Partido Janata Samajbadi Nepal; CPN (Socialista Maoísta); CPN (Samyabadi); CPN (Comunista) e CPN (Maoísta Revolucionário).

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As partes assinaram um acordo de 18 pontos para formar o NCP. O novo partido realizou sua primeira convenção nacional na quarta-feira (05/11), na qual um novo comitê central foi formado, uma declaração formal foi feita e seus princípios foram anunciados.

De acordo com as informações da imprensa, o partido seguirá os princípios marxistas-leninistas com um programa político focado no socialismo científico com “características nepalesas”. Terá também uma estrela de cinco pontas como seu novo símbolo eleitoral.

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Alegando que os objetivos do NCP seriam alcançar a prosperidade econômica, boa governança e controle da corrupção, o líder do CPN (Centro Maoísta) e ex-ministro do Interior e das Relações Exteriores do país, Narayan Kaji Shrestha, disse na terça-feira que tentará antecipar e abordar as preocupações da Geração Z.

Os chamados protestos da Geração Z ocorreram em setembro. Neles, dezenas de pessoas foram mortas e várias instituições nacionais (como o prédio do Parlamento) foram incendiadas. Isso forçou a renúncia do então primeiro-ministro KP Sharma Oli, que liderava um governo de coalizão composto pelo Partido Comunista do Nepal-Marxista Leninista Unificado (CPN-UML) e pelo Congresso Nepalês.

Analistas argumentaram que os protestos raivosos e violentos da juventude do país eram um reflexo dos fracassos sistêmicos dos sucessivos governos, principalmente liderados pela esquerda desde a queda da monarquia nos anos 2000, para abordar as questões de emprego e corrupção.

O Parlamento do Nepal foi incendiado durante protestos levantados pelos jovens da Geração Z
RS/Fotos Públicas

Eleições de março

O Nepal é atualmente administrado por um governo interino sob a liderança da ex-presidente da Suprema Corte Sushila Karki. Este governo interino dissolveu o Parlamento e decidiu realizar eleições nacionais em 5 de março do próximo ano.

O líder maoísta Narayan Kaji Shrestha, no entanto, negou que a formação de um partido comunista unificado tenha se concentrado nas eleições de março e afirmou que foi resultado de esforços prolongados que começaram antes dos protestos em setembro, que ajudaram a acelerar o processo.

“Enquanto trabalhávamos para trazer as mudanças na nação, no momento certo, esse novo cenário político se desenvolveu, e agora estamos em um novo momento, fazendo outro movimento histórico”, disse Shrestha à mídia.

O NCP “se concentrará em proteger as conquistas da revolução democrática popular e lançar as bases para o socialismo”, afirmou o comunicado divulgado por ele na terça-feira.

Uma das maiores formações comunistas do país, o CPN (UML) não se juntou à nova formação na terça-feira.

O CPN (UML) fazia parte de uma tentativa anterior de criar uma formação comunista unida no país. Em 2018, fundiu-se com o CPN (Centro Maoísta) para formar o Partido Comunista do Nepal (NCP). O partido não durou muito e em 2021, enquanto estava no governo, aconteceu uma cisão e, após a cisão, tanto o CPN (Centro Maoísta) quanto o CPN (UML) retomaram suas formas pré-fusão.

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