Terça-feira, 10 de março de 2026
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O giro de Hillary Clinton pela América do Sul não aproximou os Estados Unidos da região nem teve êxito em um de seus principais objetivos: conquistar apoio brasileiro para pressionar o Irã a parar seu programa nuclear. A avaliação é de especialistas na política externa de Washington para a América Latina. Segundo eles, o fracasso da viagem da secretária de Estado é a dificuldade para romper com a tendência da diplomacia pré-Barack Obama e a demora para cumprir promessas feitas em janeiro de 2009, quando o presidente tomou posse.

Antes de chegar ao Brasil, Hillary esteve no Uruguai, onde participou da posse do presidente José “Pepe” Mujica, no Chile, onde se comprometeu a cooperar com a reconstrução do país após o terremoto, e na Argentina, onde se ofereceu para facilitar o diálogo com o Reino Unido sobre exploração do petróleo na região das Malvinas.

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Mas não conseguiu estreitar os laços com a região, na avaliação do professor Larry Birns, diretor do Conselho de Assuntos Hemisféricos (Coha, na sigla em inglês). “Hillary teve dificuldade para estar a par da realidade latino-americana, embora a administração Obama tenha feito um esforço de aproximação”, disse ao Opera Mundi, por telefone, de Washington.

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Para ele e para o diretor do Centro de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, Matias Spektor, isso se deve ao fato de o governo de George W. Bush (2001-2009) ter se focado principalmente em Afeganistão e Iraque, principalmente após o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001.

“Na última década, com a intervenção no Afeganistão e a guerra no Iraque, os EUA se  distraíram das relações com as Américas. Ao assumir, Obama viu uma oportunidade de pluralizar as relações, fez uma série de promessas em relação a Cuba, a Guantánamo, a melhorar a relação com a Venezuela, mas não conseguiu cumprir. E em grande parte das vezes foi por falta de aprovação dentro do governo”, explicou Birns.

Um exemplo de divergência interna mencionado pelo professor do Coha foi quando Obama enfrentou a oposição de parlamentares governistas que não concordaram em impor sanções a Honduras, após o golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya, em junho do ano passado.

Os especialistas avaliam que o fato de o Brasil ter assumido uma postura de liderança entre os países vizinhos contribui para a região não tentar “seguir de modo irrestrito o discurso de Hillary”.

“A influência dos EUA na região está diminuindo [por conta da demora ao honrar as promessas], ao mesmo tempo em que a política externa brasileira está se fortalecendo. Nada pode parar a influência do Brasil”, disse Birns.

Irã

Os dois concordam que o objetivo da visita da secretária, principalmente no Brasil, é conseguir apoio para punir o Irã por conta do programa nuclear.

“Ela foi incisiva e deixou as coisas claras durante o encontro com [o presidente] Lula e [o ministro] Celso Amorim, porém, não foi bem sucedida”, afirmou Birns.

“Os obstáculos aos esforços dos Estados Unidos para reforçar as sanções da ONU contra o Irã eram nítidos nas reuniões em Brasília”, declarou Spektor.

Os EUA insistem que o programa nuclear do Irã não tem fins pacíficos e exigem a aplicação de sanções. Antes do encontro com a secretária, o presidente Lula havia deixado claro que não colocaria o Irã “contra a parede” e que seu objetivo era tentar estabilizar as negociações.

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Hillary não consegue aproximar EUA da América do Sul, dizem especialistas

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