Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
APOIE
Menu

O Irã emitiu um alerta nesta terça-feira (02/01) contra os Estados Unidos após o presidente norte-americano Donald Trump ameaçar, por meio da plataforma Truth Social, estar “pronto” para intervir no território iraniano caso Teerã adote medidas agressivas contra seus manifestantes, no âmbito dos protestos desencadeados no início desta semana contra a desvalorização da moeda local e inflação, problema decorrente das sanções impostas pelo Ocidente

“Qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto estará exposta a uma resposta”, escreveu o conselheiro do líder supremo do país, Ali Shamkhani, na rede social X. “A segurança nacional do Irã é uma linha vermelha, não um assunto para postagens irresponsáveis”.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Por sua vez, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, disse que qualquer interferência norte-americana sob um “regime sanguinário e colonialista” nos assuntos internos teria amplas consequências regionais e colocaria em risco os interesses dos Estados Unidos. O alto funcionário descreveu as declarações do republicano como contendo “alegações insolentes” e “ameaças hipócritas”.

“Consideramos as posições dos comerciantes em protesto separadas das dos elementos destrutivos, e Trump deve saber que a interferência dos EUA nesse assunto interno significaria desestabilizar toda a região e destruir os interesses dos EUA”, afirmou. “O povo norte-americano deveria saber que Trump iniciou o aventureirismo. Eles devem estar atentos à segurança de seus soldados”.

Segundo a emissora catari Al Jazeera, manifestantes e forças de segurança iranianas entraram em confronto em várias cidades na quinta-feira (01/01), resultando na morte de seis pessoas. A agência de notícias Fars informou que duas pessoas foram mortas em confrontos na cidade de Lordegan, nas províncias de Chaharmahal e Bakhtiari; três em Azna, na vizinha província de Lorestan; e um membro das forças de segurança na cidade de Kuhdasht.

Trump disse que “se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume, os EUA virão em seu resgate”. “Estamos prontos para avançar”, acrescentou.

Protestos no Irã

Os protestos tomaram proporções no domingo (28/12), à medida que o rial iraniano foi despencando para novos recordes de baixa em relação ao dólar norte-americano. De acordo com a Al Jazeera, a moeda local tem “diminuído rapidamente” nas últimas semanas, à medida que os Estados Unidos e seus aliados ocidentais aumentam suas sanções e pressão diplomática, além da possibilidade de uma nova guerra eclodir com Israel.

Conforme os veículos estatais, os protestos começaram com a participação majoritária de comerciantes do Grande Bazar de Teerã e, na terça-feira, estudantes também se uniram aos atos, concentrando-se em quatro universidades da capital.

O Centro de Estatísticas Iraniano informou que, em dezembro, os preços aumentaram 52% em média, em termos anuais. Segundo a RFI, “o rial perdeu quase metade do valor em um ano e atingiu nesta terça-feira um mínimo histórico de 1.400.000 rials por dólar, segundo dados compilados por plataformas online. A inflação chegou a 42,5% em dezembro”.

(*) Com Tasnim