A Irmandade Muçulmana do Egito propôs neste sábado (16/11) o início de um diálogo para buscar uma saída à crise política na qual está imerso o país, revelou um porta-voz da Coalizão para a Defesa da Legitimidade, que agrupa esta e outras formações islâmicas.
Em entrevista coletiva, os seguidores do deposto presidente Mohammed Mursi voltaram a rejeitar o golpe de estado do último dia 3 de julho. Eles reiteraram que em a ação militar poderá fazer com que “voltem ao governo os partidários do (ex-presidente Hosni) Mubarak”.
Na primeira declaração desses grupos a favor das conversas com as novas autoridades, o representante da Irmandade, Ali Bishr, afirmou que “qualquer diálogo sério necessita deter a campanha do ódio e das detenções, e libertar todos os presos”.
Em comunicado, a coalizão exigiu “o fim do estado militar e policial”, e acusou o exército de ser o culpado de todas as inseguranças e pelo contrabando de armas no país.
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Também pediu a volta ao processo democrático e o cumprimento dos objetivos da revolução que derrubou Mubarak em fevereiro de 2011.
Quanto às condições de negociação, os islâmicos firmaram que seguirão reivindicando os “direitos dos mártires e feridos” e que se busque “um maior consenso para a modificação de alguns artigos da Constituição por meio de mecanismos constitucionais”.
“Tudo deve ser feito respeitando a Carta Magna”, ressaltou o comunicado, que coincide com o período de reforma constitucional que um grupo de 50 personalidades – sem representação da Irmandade – está realizando antes de submeter o texto a referendo.
Além disso, os dirigentes pedira respeito aos protestos pacíficos, aos grupos opositores e ao pluralismo político, depois que as autoridades reprimiram as manifestações dos contrários à derrocada de Mursi e prenderam os principais líderes do grupo.
A coalizão advogou ainda pelo respeito “a todos os muçulmanos e cristãos no Egito como membros para construir uma civilização”, e por uma justiça de transição e pela estabilidade nacional.