O governo italiano afirmou nesta quarta-feira (18/01) que já ocorreu “dano ambiental”, embora muito restrito ao fundo do mar da ilha de Giglio, em razão do tombamento do transatlântico Costa Concórdia, ocorrido na última sexta-feira. A embarcação continha em seu interior 2.380 toneladas de combustível.
À margem de seu comparecimento nesta quarta-feira no plenário da Câmara Baixa, o ministro de Meio Ambiente italiano, Corrado Clini, afirmou que existe o risco de um possível vazamento de combustível ao mar, que pode esparramar-se ao longo de toda a costa do Mar Tirreno.
“Estamos diante de uma situação limite porque o navio está instável. É preciso atuar rápido (…). Acredito que nas próximas 12h estaremos prontos para começar a trabalhar para esvaziar as 2.380 toneladas de combustível do reservatório, mas para isso precisaremos de, ao menos, duas semanas”.
O ministro de Meio Ambiente admitiu que para retirar o Costa Concordia do lugar onde está encalhado, obviamente será preciso mais tempo, basta “um pouco de bom senso para entender que existe uma manobra arriscada. Nesta quarta-feira, as autoridades tiveram de suspender as operações de resgate por causa de uma nova movimentação do transatlântico.
“Corremos um enorme risco de o combustível se dispersar no mar, o que pode contaminar não só a zona do naufrágio, mas toda a costa do Tirreno. Isso depende muito das correntes marinhas”, comentou Clini.O ministro explicou já ter recebido propostas da França e Alemanha para colaborar na gestão da catástrofe.
Segundo o ministro italiano, não é preciso que o governo aprove uma lei proibindo os cruzeiros de se aproximarem do litoral para saudar os aldeões – o que está sendo cogitado como possível causa do naufrágio do “Costa Concordia” –, mas basta que impere o “bom senso” para perceber que estas são manobras “perigosas”.
Na segunda-feira, Clini anunciou que o governo decretará estado de emergência na zona no próximo Conselho de Ministros, previsto para esta sexta-feira, e se referiu a pequenos vazamentos de “matéria líquida” que, por enquanto, não se sabe se é combustível.
“As investigações em curso permitirão saber a natureza das perdas. Mesmo sem saber, começamos a proteção do casco com painéis que permitam conter os vazamentos”, detalhou o ministro.
O representante na Itália da companhia holandesa Smit Salvage, encarregada pelas tarefas de retirada do combustível, estimou que serão necessárias de duas e seis semanas para extrair todo o combustível dos tanques. Para que esse processo ocorra contaminação, será utilizado um sistema que permite perfurar a chapa da cisterna.
A ilha de Giglio faz parte de um parque natural marinho considerado um dos maiores ecossistemas do Mediterrâneo. Em torno dela, os helicópteros que trabalham nos trabalhos de resgate já visualizaram manchas na água.
Até o momento, o acidente do Costa Concordia, de propriedade da companhia Costa Cruzeiros, teve onze mortes confirmadas.

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