Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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Os ataques de Israel ao território do Irã, realizados nesta sexta-feira (13/06), devem trazer, como consequência, a mudança da postura de Teerã com relação ao seu projeto nuclear, segundo o jornalista Pedro Paulo Rezende, especialista em Relações Internacionais e responsável pelo site Arsenal Geopolítica e Defesa.

A Opera Mundi, Rezende disse que a principal resposta iraniana em retaliação aos ataques israelenses será a nível político. “O Irã deve nuclearizar seu arsenal, essa será uma mudança muito importante, e um passo que a República Islâmica vinha evitando, mas que diante do cenário que Israel mesmo criou, isso se tornou inevitável”, afirmou o jornalista.

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Rezende também disse que está vigente até hoje no Irã uma fátua, uma decisão imposta pelo próprio aiatolá Ali Khamenei, que funciona como um limite moral, pois “proíbe a utilização da energia nuclear para a produção de armas de destruição em massa, e somente a decisão do aiatolá pode derrubar essa norma, mas acho que Israel acabou tomando essa decisão por ele com o ataque desta sexta-feira”.

“Não é uma decisão que será anunciada agora, mas em breve, o Irã sabe que Israel cruzou uma linha e que não há outra alternativa”, acrescentou o jornalista.

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O especialista também estimou que, atualmente, Teerã possui capacidade energética e tecnologia para produzir pelo menos 10 bombas nucleares.

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Estados Unidos protegerá Israel

Segundo Rezende, a reação da República Islâmica será coibida pela proteção dada pelos Estados Unidos ao regime sionista. “O Irã poderia causar grandes estragos em Israel se decidisse atacar agora mesmo, e não seria difícil. Israel é um país muito vulnerável a um contra-ataque, por isso o país deve responder em alguma medida, mas dentro de um certo limite”, afirmou o jornalista.

O especialista apontou a central nuclear de Dimona, no deserto israelense, “que fica em uma localização que é de conhecimento público, e o Irã sabe como atingir esse local”. “Um ataque a essa ou a outras instalações de Israel conhecidas pela inteligência iraniana poderia gerar algo similar à situação que vimos em Chernobyl”, complementou.

No entanto, de acordo com o jornalista, a proteção dada pelos Estados Unidos ao regime sionista “deve coibir qualquer anseio de Teerã de devolver com a mesma moeda, ou seja, atacando instalações nucleares israelenses”.

“O Irã, provavelmente, vai ter que engolir a derrota de hoje, o ataque de Israel foi muito bem concebido e articulado, por isso a reação mais provável é a de soltar as amarras do seu programa nuclear, não tem outro caminho”, analisou.

Rezende concluiu a entrevista lamentando que “tudo isso que estamos vendo, não só com o Irã mas também em Gaza, são ações pensadas sobretudo para garantir que o (premiê Benjamin) Netanyahu sobreviva politicamente, com a única carta que ele tem, que é a de buscar conflitos com os países vizinhos, que justifiquem sua manutenção no poder”.