O tribunal de Oslo ordenou nesta sexta-feira (13/01) uma nova avaliação psiquiátrica do autor dos ataques do dia 22 de julho na Noruega, Anders Behring Breivik. Declarado criminalmente irresponsável no ano passado por dois especialistas, as conclusões do laudo foram contestadas pela juíza do caso.
O relatório anterior, divulgado há dois meses, concluía que Breivik sofria de “esquizofrenia paranóica”, o que segundo as leis norueguesas impediria que fosse sentenciado a uma pena de prisão, que seria substituída por uma hipotética condenação a tratamento psiquiátrico forçado.
As fortes reações provocadas pelo relatório e a opinião dissonante dos funcionários da prisão de Ila, onde Breivik está em prisão preventiva, foram os motivos expostos pela juíza Wenche Elizabeth Arntzen para justificar a elaboração do novo relatório por outros dois psiquiatras. A gravidade do caso exige que a responsabilidade penal (de Behring Breivik) seja re-examinada”, declarou a juíza.
Dois novos especialistas, Agnar Aspaas e Terje Toerrisen, deverão se pronunciar sobre a saúde mental do terrorista de direita, 32 anos, responsável pela morte de 77 pessoas, “antes do julgamento” previsto para o dia 16 de abril. Uma nova avaliação, no entanto, pode ser complicada pela recusa de Breivik, já expressa através de seu advogado, de realizar novos exames.
“A decisão ( de sexta-feira) não implica qualquer crítica do relatório dos primeiros peritos”, disse Arntzen, sublinhando “a necessidade de esclarecer esta questão, tanto quanto possível.”
Controvérsia
Este primeiro relatório, aprovado por uma comissão forense, gerou uma onda de críticas na Noruega. Muitos enfatizam a minúcia com que Breivik preparou seu plano de assassinato por vários anos e a frieza metódica com que o executou. Em 22 de julho, disfarçado de policial, disparou por mais de uma hora contra um grupo de jovens na ilha de Utoeya, perto de Oslo, depois que explodir uma bomba perto da sede do governo norueguês.
O perfil traçado pelos dois primeiros especialistas descreve um indivíduo perdido “em um mundo de ilusões”, incapaz de viver em sociedade. Diante da controvérsia, vários advogados das famílias das vítimas e de sobreviventes solicitaram um novo exame psiquiátrico.
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