Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Departamento de Estado

John Kerry, secretário de Estado dos EUA, justificou a detenção e sequestro de líbio, suspeito de estar por trás de atentado em 1998

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, defendeu nesta segunda-feira (07/10) as operações militares realizadas pelos Estados Unidos na Líbia e na Somália neste final de semana sem conhecimento prévio dos governos africanos, qualificando-as como “legais”. As ações foram questionadas pelas autoridades líbias e reacenderam o debate sobre o respeito aos direitos civis e à soberania de Estados na “guerra contra o terror” travada pelos EUA.

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Forças especiais norte-americanas detiveram, colocaram sob custódia militar e estão interrogando um líbio acusado de pertencer à Al Qaeda. Segundo informações divulgadas neste domingo (06/10), os oficiais levaram Nazih Abdul-Hamed al-Ruqai para um barco norte-americano no Mediterrâneo e devem levá-lo para julgamento em Nova Iorque.

Os EUA acusam al-Ruqai, mais conhecido como Abú Anas al Libi, de estar por trás dos atentados de 1998 contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, que deixaram mais de 200 mortos. Para os serviços de inteligência dos EUA, al Libi pode deter muitas informações sobre a Al Qaeda. Ele está entre os primeiros da lista dos “mais-procurados” do FBI com recompensa de 5 milhões de dólares por sua captura. O porta-voz do Pentágono, George Little, disse que al Libi “está preso legalmente pelos militares norte-americanos em uma locação segura fora da Líbia”.

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Secretário de Estado dos EUA disse que, mesmo não autorizadas pelos governos locais, investidas foram "legais"

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As autoridades líbias, no entanto, alegaram que não foram avisadas da operação e exigiram explicações. “O governo líbio está seguindo as notícias sobre o sequestro de um cidadão líbio pelos EUA”, diz o comunicado oficial emitido neste domingo (06/10). “O governo líbio contatou as autoridades norte-americanas para pedir uma explicação”, acrescentou.

Em evento na Indonésia nesta segunda, Kerry respondeu aos questionamentos sobre as investidas norte-americanas em solo africano e justificou que as operações estão dentro da lei dos EUA. O secretário ainda disse, segundo a agência Associated Press, que o suspeito é um “alvo legal e apropriado” das Forças Armadas dos EUA e deve responder na Justiça norte-americana. Kerry ainda acrescentou que é importante “não simpatizar” com um terrorista como esse.

No domingo, quando cresciam as notícias sobre a operação, Kerry disse que as investidas passavam a mensagem aos terroristas de que “eles podem correr, mas não se esconder”. “Nós esperamos que isso deixe claro que os EUA nunca vão parar de perseguir aqueles responsáveis por cometer atos de terror”, disse ele na ocasião.

Desde o início da guerra contra o terror, depois dos atentados do 11 de setembro, o governo norte-americano é acusado de realizar torturas contra suspeitos, desrespeitar os direitos civis, manter operações secretas ao redor do mundo e espionar, ilegalmente, cidadãos, governos e organizações em diversos países. Neste domingo, a revista Mother Jones publicou reportagem investigativa na qual apresenta evidências de que as operações norte-americanas na África estão crescendo.

Tanzânia 

As forças norte-americanas também realizaram uma investida militar na Tanzânia a fim de capturar Ahmed Godane, suspeito de estar por trás ao atentado contra o shopping no Quênia no mês passado. A operação, comandada pelos SEALS, grupo de elite da marinha norte-americana, não teve sucesso, pois, segundo agencias internacionais, os militares foram recebidos com tiros.

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