O líder do partido de extrema-direita Liga Norte, Umberto Bossi, confirmou neste domingo (13/11), durante encontro com o presidente italiano Giorgio Napolitano, que sua legenda passará a ser oposição no próximo governo.
Bossi criticou o “amontoamento” de forças políticas na próxima gestão e advertiu que a Liga estará “vigilante” com relação ao “programa” de governo. “Vamos ver que coisas o governo quer fazer. Devemos conhecer bem o que deve fazer e como o fará. Em qualquer caso, não daremos carta branca”, pontuou.
Ele ressaltou ainda que a Liga “sempre tem em mente a nossa Padania, o nosso interesse continua [sendo] o interesse do Norte” da Itália.
O ministro do Interior, Roberto Maroni, também partidário da Liga, disse que o provável governo técnico que deve ser montado sob a liderança do economista Mario Monti pode não acrescentar complicações à política italiana por ter que lidar com uma base parlamentar majoritária de caráter muito “heterogêneo”.
Para ele, que anunciou que deixará o governo já nesta semana, a próxima gestão não apenas não será suficiente para resolver os problemas” como deve “adicionar complicações”.
“Estimo Mario Monti, mas acho que ele terá dificuldade com uma maioria tão heterogênea, que vai do PdL [Povo da Liberdade, de Silvio Berlusconi] ao PD [Partido Democrático, de esquerda], passando pela UDC [União Democrática de Centro] e pelo IDV [Itália dos Valores]. Não acho que uma maioria assim possa dar respostas rápidas e coerentes”, observou.
Maroni disse ainda que recebeu um telefonema de Napolitano, que tentou convencê-lo a integrar a maioria parlamentar do próximo governo, mas em vão. “Nós fizemos uma escolha política que todos compartilham na Liga”, reafirmou.
Ele expressou não acreditar que a escolha de um governo técnico tenha sido uma imposição da Europa e citou o jornal Financial Times que opinou que “a competência técnica não é suficiente para a Itália e a Grécia”.
Quanto ao comportamento da Liga Norte nas votações, o ministro assinalou que o partido aprovará o que vê como oportuno e barrará o que for de “prejuízo social”.
Nesta manhã, uma delegação do partido de ultradireita foi recebida pelo chefe de Estado italiano, em meio a uma série de consultas com todos os partidos políticos da Itália para encontrar um nome que possa liderar o próximo governo. Acredita-se que Mario Monti possa ser indicado ainda hoje para ser o próximo primeiro-ministro do país.

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