Sábado, 6 de dezembro de 2025
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O chefe das Forças Armadas Sudanesas, Abdel Fattah al-Burhan, rejeitou neste domingo (23/11) o plano de cessar-fogo apresentado pelos EUA, a Arábia Saudita, o Egito e os Emirados Árabes Unidos (conhecidos coletivamente como Quad, grupo de mediação). Segundo a emissora catari Al Jazeera, al-Burhan declarou a altos funcionários que a proposta apresentada em novembro “elimina efetivamente a existência das forças armadas e… a dissolução de todas as agências de segurança”, ao mesmo tempo que “mantém a milícia rebelde em suas posições”.

Al-Burhan também criticou duramente Massad Boulos, conselheiro sênior para assuntos regionais do presidente dos EUA, Donald Trump, por sua participação na proposta. Afirmando que Boulos, que acusou o Exército de obstruir a ajuda humanitária e de usar armas químicas, poderia se tornar um obstáculo à paz.

No entanto, o chefe do exército elogiou Trump e o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, que colocou a guerra no Sudão em pauta durante sua visita a Washington na semana passada e pediu esforços sérios para pôr fim ao conflito.

Al-Burhan ainda alegou que a participação de Abu Dhabi nas negociações é tendenciosa e que a proposta visa eliminar o Exército. O chefe do Exército afirmou que, com os Emirados Árabes Unidos como membro, o Quad “não está isento de responsabilidade, especialmente porque o mundo inteiro testemunhou o apoio dos Emirados Árabes Unidos aos rebeldes contra o Estado sudanês”.

Abu Dhabi rejeita há muito tempo as acusações de que estaria armando e financiando as Forças de Apoio Rápido (RSF). Em março, criticaram duramente a iniciativa do Sudão de apresentar uma queixa contra eles no Tribunal Internacional de Justiça, classificando as acusações como uma “manobra publicitária cínica”.

A firme resposta do chefe das Forças Armadas Sudanesas elevou as tensões na guerra civil com a Forças de Apoio Rápido, que já matou dezenas de milhares de pessoas, deslocou cerca de 14 milhões e desencadeou uma crise humanitária.