Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Sem citar explicitamente os Estados Unidos, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva deu destaque para a consistência no crescimento do comércio bilateral entre a nação sul-americana com a Coreia do Sul apesar do “ressurgimento do unilateralismo e do protecionismo” no mundo. A recepção do mandatário sul-coreano Lee Jae Myung em Brasília nesta segunda-feira (27/07) acontece no contexto do tarifaço imposto por Washington a produtos brasileiros, e enquanto o governo Lula busca ampliar alternativas estabelecendo parcerias comerciais com outros países.

“Em minha viagem a Seul, em fevereiro, Coreia e Brasil se tornaram Parceiros Estratégicos. Hoje, estamos construindo uma parceria mais ambiciosa e preparada para responder aos desafios de um mundo em rápida transformação”, escreveu o presidente brasileiro em suas redes sociais. “Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo. A paz e o desenvolvimento não nascem da imposição, nascem da cooperação. É com esse espírito que Coreia e Brasil caminham lado a lado”.

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Esta é a primeira vez em 11 anos que Brasília recebe uma visita de Estado de um líder sul-coreano. Na publicação, Lula também enfatizou os memorandos assinados no encontro bilateral, com foco em áreas que incluem educação, tecnologia, inteligência artificial, economia, saúde e defesa.  

“Queremos aproximar nossas universidades e empresas em áreas importantes para a economia do futuro, como semicondutores, economia digital, inteligência artificial e indústria aeroespacial. Também estamos aprofundando nossa cooperação em tecnologias de saúde, diagnósticos e medicamentos”, disse. “A escolha do C-390 Millennium da EMBRAER pela Força Aérea da República da Coreia é um símbolo do potencial da parceria em Defesa.  A missão espacial da empresa coreana Innospace a partir do Centro de Lançamento de Alcântara abriu caminho para uma nova frente de cooperação tecnológica”.

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Por fim, Lula recordou o passado vivenciado por ele e pelo seu homólogo sul-coreano, reiterando o compromisso, agora, ambos como chefes de Estado, de melhorarem o bem-estar de seus respectivos povos e de defenderem suas respectivas democracias “frente aos ataques de setores extremistas”. 

“Presidente Lee, quem conhece as dificuldades da vida aprende cedo o valor de cada oportunidade. Nós dois viemos da pobreza, e hoje temos o compromisso de melhorar a vida de cada cidadão e cada cidadã. De cada estudante e cada trabalhador”, afirmou o mandatário brasileiro. “Sabemos que a educação, o trabalho e a democracia podem mudar o destino de uma pessoa e de um país. Ambos soubemos defender nossas democracias frente aos ataques de setores extremistas”.

Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva recebe seu homólogo sul-coreano Lee Jae Myung em Brasília e fortalece cooperação bilateral em áreas estratégicas
Ricardo Stuckert/PR

Avanços nas tratativas entre Coreia do Sul e Mercosul

Na segunda-feira, os presidentes Lula e Lee Jae Myung concordaram que um pacto comercial entre a nação asiática e o Mercosul, não deveria mais ser adiado. Esta foi a posição dada pelo chefe de Estado sul-coreano em um comunicado conjunto divulgado à imprensa após a cúpula. Para o líder asiático, o Brasil é “pilar central” das cadeias globais de suprimentos e da segurança alimentar, e o pacto comercial, se concluído, poderia servir como uma base importante para fortalecer a parceria estratégica entre os países. 

“Em uma era de crescente incerteza no ambiente comercial, um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul é uma tarefa importante que não pode ser adiada mais”, declarou Lee. A Coreia do Sul e o Mercosul iniciaram as negociações formais para um acordo em 2018, mas as tratativas estagnaram nos últimos anos.

Desde que assumiu o cargo no ano passado, o presidente sul-coreano buscou retomar as negociações com o bloco sul-americano como parte dos esforços para diversificar seus parceiros comerciais. O objetivo do mandatário na agenda que realiza pela América do Sul, que inclui passagens posteriores pelo Chile e pela Argentina, é justamente negociar com as nações ricas em recursos minerais críticos. 

“Um acordo comercial Coreia do Sul-Mercosul ampliaria as oportunidades para as nossas empresas entrarem no mercado comum da América do Sul, ao mesmo tempo em que ofereceria novas oportunidades para que empresas brasileiras se expandissem no mercado asiático por meio da Coreia do Sul”, acrescentou Lee.

Cooperação em setores estratégicos

A visita oficial de Lula à capital sul-coreana Seul, em fevereiro deste ano, foi o ponto de partida para a adoção de um plano de ação de quatro anos tendo em vista a ampliação da cooperação bilateral nos sentidos político, econômico e em outras áreas. 

Os acordos alcançados na segunda-feira reforçam, portanto, a cooperação entre Seul e Brasília na indústria de defesa, aeroespacial, minerais críticos e economia digital. De acordo com o presidente Lee, para além disso, os países “decidiram expandir a cooperação estratégica nos setores de recursos e energia para diversificar as cadeias de suprimentos”.

No setor bélico, os mandatários concordaram em lançar um comitê conjunto da indústria de defesa ainda em 2026, buscando um acordo sobre a troca e proteção de informações militares.

De acordo com a nota emitida, o presidente sul-coreano agradeceu ao governo brasileiro de Lula pelo “apoio firme” aos esforços de sua administração para alcançar uma Península Coreana livre de armas nucleares.

Em relação à cooperação econômica, o presidente brasileiro enfatizou que o comércio bilateral entre os dois países atingiu US$ 11 bilhões (R$ 56 bilhões, pela cotação atual) no ano passado, e expressou confiança de que superará em muito o nível de 2025 no próximo ano.

“Em 2025, o Brasil exportou quase 2 bilhões e meio de dólares (R$ 12,7 bilhões) em produtos agropecuários para a Coreia. Após 17 anos de negociação, temos agora o compromisso concreto de realização de missão sanitária ao Brasil no próximo mês. Passo decisivo para o acesso dos frigoríficos brasileiros ao mercado coreano”, disse Lula.

“O Fórum Empresarial que será realizado em São Paulo amanhã, com a presença do presidente Lee, também vai contribuir para aproximar nossos setores produtivos e impulsionar investimentos”, acrescentou.

Lee Jae Myung segue para São Paulo na terça-feira (28/07), capital financeira que abriga a maior comunidade coreana do Brasil, com mais de 50 mil pessoas. O presidente sul-coreano deixa o país na quarta-feira (29/07), sendo seu próximo destino o Chile.