Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quarta-feira (03/12) que espera “boas notícias” sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, um dia depois que realizou uma conversa telefônica com seu homólogo norte-americano Donald Trump. A posição foi dada em entrevista à TV Verdes Mares, de Fortaleza, onde cumpre uma visita oficial.

“Eu conversei seriamente com o presidente Trump sobre a necessidade do fortalecimento das duas maiores democracias do Ocidente, Brasil e Estados Unidos”, disse o mandatário, acrescentando otimismo quanto ao possível fim da medida. “Não tem sentido essa taxação, e eu disse para ele que é importante rever isso”.

Em relação à possibilidade de novos anúncios sobre eliminação de produtos taxados, Lula disse que “muita coisa vai acontecer”. “Você está vendo o meu sorriso de Mona Lisa, é porque estou convencido de que vão acontecer boas novidades”, afirmou.

Na terça-feira (02/12), Lula conversou com o republicano por cerca de 40 minutos, conforme o comunicado emitido pelo Planalto, no contexto da reaproximação entre os dois países após o tarifaço anunciado em julho por Washington.

“Da mesma forma que o povo brasileiro teve uma notícia ruim quando o presidente Trump anunciou a taxação, eu acho que está perto de a gente ouvir uma notícia boa, além de tirar alguns produtos nossos da taxação, o que ele fez”, apontou.

Lula e Donald Trump conversam por telefone sobre tarifaço, sanções e combate ao crime organizado
Ricardo Stuckert/PR

Crime organizado

O presidente brasileiro ainda comentou sobre o seu interesse em ampliar a cooperação com Washington na questão do combate ao crime organizado transnacional

“Disse para ele que é importante discutir sobre o crime organizado, e nós temos gente importante que pratica crime aqui no Brasil e mora em Miami. Disse para ele que estamos dispostos a trabalhar juntos para combater o crime organizado na fronteira e onde tiver”, finalizou.

De acordo com a nota do Planalto, referente a esta questão, Trump “ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil, com apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas”. 

A concordância entre ambos se dá no contexto das contínuas ofensivas norte-americanas no mar do Caribe que usam como pretexto o combate ao narcotráfico. As agressões lideradas pela Casa Branca contra barcos, em sua maioria venezuelanos, foram iniciadas no começo de setembro e deixaram cerca de 80 mortos.

Sanções

Por sua vez, à imprensa norte-americana, Trump declarou que a “ótima conversa” de terça-feira se voltou às sanções, em aparente referência às medidas impostas por ele ao Judiciário brasileiro contra suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso após incentivar uma tentativa de golpe no Brasil.

“Falamos sobre comércio. Falamos sobre sanções, porque, como vocês sabem, eu os sancionei em relação a certas coisas que aconteceram”, disse.

Nas redes sociais, o republicano manifestou estar esperando uma nova conversa com Lula em breve, acrescentando que “muita coisa boa resultará desta parceria recém-formada!”.

Em 20 de novembro, a Casa Branca anunciou a retirada de 238 produtos da lista do tarifaço, entre eles, café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina. De acordo com o governo brasileiro, 22% das exportações para os Estados Unidos ainda permanecem sujeitas às sobretaxas. No início da imposição das tarifas, 36% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano estavam submetidas a alíquotas adicionais.

(*) Com Ansa e Agência Brasil